CCDR-Norte

Fecho da refinaria de Matosinhos pode ser "oportunidade histórica"

Fecho da refinaria de Matosinhos pode ser "oportunidade histórica"

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-Norte) predispôs-se a ajudar num projeto estratégico para transformar em "oportunidade histórica" o problema socioeconómico gerado pelo fecho da refinaria de Matosinhos.

"Este é um dos casos em que um problema pode e deve ser encarado como uma oportunidade histórica", refere o presidente da CCDR-Norte, António Cunha, numa declaração escrita remetida à agência Lusa, assegurando que a estrutura que dirige "está empenhada em participar na definição das melhores respostas sociais, ambientais e económicas, e de um novo projeto estratégico para o local".

O fecho da refinaria, em fins de abril, traduz-se em perdas de 5% no Produto Interno Bruto de Matosinhos e de 1% no da Área Metropolitana do Porto, segundo um estudo encomendado pela Câmara Municipal de Matosinhos à Universidade do Porto para avaliar os impactos socioeconómicos do fecho do complexo petroquímico.

Assinando que os dados do estudo universitário "convergem com os indicadores e as projeções da CCDR-Norte", António Cunha reconhece que o encerramento da refinaria da Petrogal em Matosinhos "tem impactos locais e metropolitanos expressivos, no plano do emprego e do produto económico, afetando ainda outras atividades e cadeias de valor na região e no país", mas contrapõe que se abre "oportunidades (...) na resolução de um passivo ambiental importante e na valorização socioeconómica, urbana e paisagística de um território privilegiado" no contexto metropolitano e regional.

"É neste sentido que devemos trabalhar, de modo concertado, aproveitando desde logo os apoios do Fundo Europeu de Transição Justa e contribuindo para substituir, em termos mais sustentáveis e estratégicos, as perdas de emprego, atividade e produto económico registadas", frisa o presidente da CCDR-Norte.

Segundo o estudo encomendado pela autarquia de Matosinhos à Universidade do Porto, o encerramento da refinaria de Matosinhos, "no cenário de não existirem alternativas para o complexo de refinação da Petrogal, estima-se a perda de 1.600 postos de trabalho em Matosinhos e de 5.000 na Área Metropolitana do Porto".

O estudo sugere a criação de um Centro Tecnológico da Energia e do Mar, a ser constituído por um laboratório para a energia e para o mar, uma incubadora de empresas, hospedaria de laboratórios industriais e um parque de pilotos industriais, adianta o estudo.

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"Esta solução criará mais emprego, mais sustentabilidade e mais valor acrescentado do que a refinaria agora encerrada, permitindo a criação de um ecossistema de inovação e desenvolvimento, liderado por instituições âncora como universidades e grandes empresas", refere o estudo.

O objetivo é, acrescenta, que este centro seja "um viveiro para novos recursos e novas ideias em áreas como a mobilidade inteligente ou a valorização energética de resíduos".

A Galp desligou a última unidade de produção da refinaria de Matosinhos em 30 de abril, na sequência da decisão de concentrar as operações em Sines.

A petrolífera justificou a "decisão complexa" de encerramento da refinaria de Matosinhos com base numa avaliação do contexto europeu e mundial da refinação, bem como nos desafios de sustentabilidade, a que se juntaram as características das instalações.

Após ter decidido o encerramento da refinaria, a Galp encetou conversas individuais com os 401 trabalhadores em causa, chegando a acordo com mais de 40%.

"Dentro desses, mais de 100 continuarão a sua atividade, quer no parque logístico de Matosinhos, que manterá as suas funções de abastecimento ao mercado de combustíveis do Norte do país, quer por via da mobilidade interna para as áreas das renováveis, inovação, novos negócios e também para a refinaria de Sines", adiantou à Lusa, em maio, o administrador da Galp Carlos Silva.

Por outro lado, mais 30% do total dos trabalhadores da refinaria de Matosinhos irão manter-se, pelo menos, até janeiro de 2024, no âmbito das operações de desmantelamento e descontinuação.

O Estado é um dos acionistas da Galp, com uma participação de 7%, através da Parpública.

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