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Galp começa a reunir com os trabalhadores da refinaria de Matosinhos na próxima semana

Galp começa a reunir com os trabalhadores da refinaria de Matosinhos na próxima semana

As reuniões entre a administração da Galp, os colaboradores, a Comissão de Trabalhadores e os sindicatos na sequência do encerramento da refinaria de Matosinhos vão arrancar na próxima semana, anunciou esta quarta-feira José Carlos Silva, vogal do Conselho de Administração da empresa. Os 401 trabalhadores serão ouvidos e tratados "com respeito", afirmou o vogal, adiantando que há vários "caminhos possíveis" para aquelas pessoas.

"Já está em curso o plano para o desenvolvimento das ações junto dos colaboradores e que se inicia já nos próximos dias através de contactos com todos os trabalhadores da refinaria de Matosinhos. O calendário dos contactos com os colaboradores, Comissão de Trabalhadores e sindicatos prevê o agendamento de várias reuniões que ocorrerão já a partir da próxima semana", revelou José Carlos Silva esta quarta-feira durante a audiência da Comissão do Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, na Assembleia da República. "As pessoas serão ouvidas e todas serão tratadas com respeito e com a dignidade que se exige", assegurou.

Dos 401 trabalhadores diretos, 60 ficarão a trabalhar no parque logístico em que se transformará, para já, a Petrogal. Para os restantes colaboradores serão utilizadas ferramentas como a mobilidade interna e processos de reformas e pré-reformas. Em cima da mesa está também a abertura de processos de contratação na empresa, no sentido de integrar aqueles trabalhadores noutras funções dentro do grupo Galp.

O vogal do Conselho de Administração afirma ter existido uma reunião com os trabalhadores a 25 de novembro, onde foi "explicado o contexto do mercado" no sentido em que as margens de refinação não conseguem suportar os custos com a importação de crude. José Carlos Silva garante que a empresa realizou uma "rigorosa avaliação dos diversos fatores económicos e sociais" decorrentes do fecho da Petrogal, que levará à centralização das operações de refinação em Sines.

Perante as questões levantadas pelos deputados do PS, PSD, BE, PCP, CDS e PAN, José Carlos Silva assegurou que a concentração da refinação em Sines terá "impacto direto na redução de 900 mil toneladas de dióxido de carbono por ano", não existindo qualquer impacto no que toca ao transporte de combustível de Sines para Matosinhos. De acordo com um estudo publicado pela Agência Portuguesa do Ambiente em 2018, acrescenta o vogal, esta redução representa "5% das emissões de produção de energia em Portugal".

O deputado Hugo Carvalho, do PS, criticou o anúncio da transformação, considerando que não foram respeitadas "as questões laborais". Já do PSD, Alberto Jorge Fonseca, levantou dúvidas quanto à ligação entre a adjudicação do prolongamento do quebra-mar do Porto de Leixões e a decisão da Galp, tomada na semana seguinte. A essa questão, José Carlos Silva respondeu que essa "é uma obra da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) e com a qual a Galp não teve qualquer intervenção".

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"Repudiar o modo selvagem" como foi anunciado o encerramento da Petrogal foi o mote da intervenção de José Soeiro, deputado do BE, que acusou a Galp de "um grande oportunismo" ao invocar "argumentos de justiça climática". "Como é que se apresenta este encerramento sem nenhum projeto de transição associado?", questionou.

Diana Ferreira, do PCP, alertou para o facto de que o processo de transição energética "não ficará concluído em 2021" e recordou que o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, na Maia, é abastecido por um pipeline a partir da Petrogal. Quanto a isso, José Carlos Silva garantiu que a estrutura será mantida e o abastecimento será feito da mesma forma.

Do CDS, João Gonçalves Pereira mostrou preocupação quanto à "perda de valor da própria Galp", mas vê a situação como uma "enorme oportunidade de requalificação".

Refinaria de lítio "em estudo"

Do PAN, Bebiana Cunha levantou a questão de uma possível instalação de uma refinaria de lítio nos terrenos da Petrogal. José Carlos Silva afirma que "é um projeto que ainda está em estudo" garantindo não existir "qualquer projeto concreto". A empresa, explica, está "a avaliar oportunidades", estando uma delas inserida no estudo da cadeia de valor das baterias de lítio. Entre as avaliações que a Galp está a fazer, insere-se também o hidrogénio verde, afirmou o vogal do Conselho de Administração.

No entanto, a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, que também foi ouvida esta quarta-feira na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, reafirmou que, caso se provem os impactos ambientais negativos provenientes da instalação de uma refinaria de lítio em Leça da Palmeira e se for essa a intenção da Galp, a Câmara não licenciará o projeto.

Apesar de garantir, uma vez mais, que a classificação dos terrenos não será alterada (o Plano Diretor Municipal - PDM - prevê que se destinem a atividade económica e industrial), se a solução apresentada pela empresa tiver impactos negativos associados, a Autarquia não dará aval para a empresa avançar.

Processo demorará três anos

O processo de encerramento da refinaria de Matosinhos, acrescenta o vogal, será um processo longo, cuja demora nunca será inferior a três anos. Isto porque envolverá a transformação de parte daquele espaço num parque logístico, obrigará ao desmantelamento da unidade e à consequente descontaminação do solo. A empresa reforça a ideia de que precisará de trabalhadores para avançar com esta operação.

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, já afirmou que o Fundo para a Transição Justa não pagará a descontaminação dos solos. Essa responsabilidade, assegurou o governante, "é das empresas".

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