Pandemia

Grande hospital de campanha na Exponor continua à espera de resposta do Governo

Grande hospital de campanha na Exponor continua à espera de resposta do Governo

A criação de um hospital de campanha, na Exponor, com capacidade para a instalação até 624 camas continua sem luz verde do Governo.

A iniciativa partiu, em finais de março, da Ordem dos Médicos e da Associação Empresarial de Portugal (AEP), tendo como objetivo triplicar a oferta de quartos com pressão negativa, funcionando como retaguarda de cinco hospitais da zona Norte, região com mais casos de pessoas infetadas com o novo coronavírus.

"É um projeto inovador e de que o país poderá vir a precisar a curto prazo. As coisas estão a correr bem, mas, de um momento para o outro, a situação pode descambar, sendo o número atual de doentes em cuidados intensivos preocupante", afirmou ao JN o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, e um dos promotores desta iniciativa destinada para o parque de exposições de Matosinhos.

Tudo é pago por empresários e o projeto de arquitetura foi oferecido pelo arquiteto Ricardo Oliveira. De acordo com Miguel Guimarães, a construção será rápida, utilizando métodos inovadores.

Ministério diz que recebeu projeto e está a avaliar

O JN questionou o Ministério da Saúde que confirma que "foi rececionado um projeto" e "o mesmo encontra-se em avaliação".

"Não percebemos esta ausência de resposta do Ministério da Saúde, até porque há necessidade de aliviar os hospitais que estão neste momento quase em exclusivo direcionados para a infeção da Covid, podendo os doentes com outras patologias serem prejudicados", diz o bastonário da Ordem dos Médicos. "Por outro lado, basta que o número de infetados suba repentinamente em quatro ou cinco dias para que o sistema bloqueie a qualquer altura e é isso que os responsáveis do Ministério não estão a perceber", acrescenta.

Miguel Guimarães explica que o objetivo é o serviço funcionar como um verdadeiro hospital, "onde as pessoas possam, por exemplo, fazer oxigénio e terem cuidados permanentes". Este será "um verdadeiro hospital de campanha, com todas as valências de cuidados e não um local com camas onde as pessoas ficam em observação, em vez de irem para casa para não contagiarem a família".

Os quartos com pressão negativa ajudam o doente a recuperar mais depressa, sendo benéfico também para os profissionais de saúde, por diminuir o risco de infeção. O sistema de ventilação faz uma renovação permanente e a pressão é mais baixa do que nas restantes instalações, evitando-se que o vírus saia e contamine.

Numa primeira fase o objetivo era criar dois módulos de 48 camas (um total de 96) com a possibilidade de, em caso de necessidade, ser alargado a um total de 624. Este hospital de campanha funcionaria como retaguarda aos hospitais de S. João, de Santo António, de Pedro Hispano (Matosinhos), de Gaia e de Braga.

Também a zona do Vale do Sousa poderá ser abrangida, tendo a Exponor uma localização privilegiada com ligações rápidas através de várias autoestradas. Recorde-se que as feiras que estavam previstas para aquele parque de exposições foram adiadas.

Pavilhão Rosa mota abre no início da próxima semana com 300 camas

Pronto a entrar em funcionamento já a seguir à Páscoa, no início da próxima semana, está o hospital de campanha montado no Pavilhão Rosa Mota, que contará com 300 camas para doentes em recuperação da Covid-19 e também para pessoas com sintomas ligeiros.

O espaço, cedido pela Câmara do Porto, foi montado pelo exército e vai ser gerido pela secção regional do norte da Ordem dos Médicos.

Ontem foram colocados os cerca de 80 mil equipamentos de proteção individual. De acordo com a autarquia, o hospital está pronto do ponto de vista logístico e nas últimas horas foi realizada a higienização do local.

Entretanto, a Câmara do Porto entrega amanhã os primeiros dez ventiladores aos hospitais de S. João e de Santo António, de um total de 45 que adquiriu.

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