Ambiente

Interdição de praias de Matosinhos é sinónimo de "algo anormal", diz PSD

Interdição de praias de Matosinhos é sinónimo de "algo anormal", diz PSD

Concelhia do PSD de Matosinhos afirma que o resultado das análises feitas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) revela que os valores microbiológicos estão "18 e 5 vezes" acima dos dos parâmetros de referência para Enterocos e para Echerichia. Um cenário, acrescenta o partido, "de extrema perigosidade para a saúde pública dos banhistas".

"Algo anormal ocorreu" para que tenham sido interditadas praias desde Matosinhos até Ílhavo, considera o PSD. De acordo com a concelhia do partido, cujo presidente é Bruno Pereira, vereador na Câmara de Matosinhos, as análises à água feitas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) representam "valores 18 e 5 vezes superiores aos padrões ditos máximos recomendáveis para enterococcus e para escherichia coli".

Esta quinta-feira, foram desaconselhados os banhos na praia de Matosinhos devido a valores microbiológicos acima dos parâmetros de referência na água, indicou à Lusa o capitão do porto do Douro. Entretanto, esta sexta-feira, a interdição a banhos na praia do Castelo do Queijo, no Porto, foi levantada após novas análises "terem revelado que os valores microbiológicos se encontram dentro dos parâmetros de referência", informou a Autoridade Marítima Nacional.

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No entanto, acrescenta o PSD em comunicado, "devido à grande abrangência territorial não se pode falar somente de descargas de detritos fecais. Algo anormal ocorreu". O vereador critica a inação do Governo e "lamenta a posição de complacência e submissão" do Município que, contactado pelo JN, não quis pronunciar-se sobre o teor do comunicado da concelhia.

"Tratamento hospitalar" a banhistas

O PSD relembra que "deve ser tido em conta a seca extrema que originou uma diminuição do caudal de rios e ribeiras, pelo que o fator de diluição diminui, a água está mais quente e com menor taxa de oxigénio, o que contribuí para uma multiplicação bacteriana". No entanto, e apesar de a concelhia reconhecer a "importância em termos económicos e geoestratégicos" da obra que decorre no Porto de Leixões, admite que uma das situações que poderá ter contribuído para a "deterioração da qualidade da água" são "as obras de dragagem na infraestrutura portuária de Leixões".

"Estamos a falar de milhões de toneladas de areias e rocha que são retiradas, colocadas a poucas milhas da nossa costa, do caudal do Rio Leça, um dos rios mais poluídos da Europa. São décadas de detritos acumulados nas águas interiores do Porto de Leixões, que agora são expostos e podem colocar em perigo a saúde pública", observa o PSD de Matosinhos.

Perante "inúmeros relatos de banhistas que tiveram de receber tratamento hospitalar e farmacêutico", o PSD diz que questionou o Executivo da Câmara. "Foi rebatido que estava tudo em conformidade", informou. Bruno Pereira acrescentou: "em plena crise climática e numa situação de seca severa, é vergonhoso que ainda se verifiquem linhas de água a desaguar nas nossas praias, que são verdadeiros esgotos a céu aberto".

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