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Lojas fechadas às 21 horas, restaurantes às 22 e feirantes "em espelho" em Matosinhos

Lojas fechadas às 21 horas, restaurantes às 22 e feirantes "em espelho" em Matosinhos

A partir deste fim de semana, todas as lojas de Matosinhos passam a fechar às 21 horas, anunciou, esta quarta-feira, a presidente da Câmara, Luísa Salgueiro, que defende a elevação do nível de alerta no país para o estado de emergência.

A Comissão Municipal de Proteção Civil de Matosinhos anunciou hoje que, a partir do próximo fim de semana, todos os estabelecimentos comerciais (incluindo os que se encontrem em shoppings) passam a encerrar às 21 horas.

Os restaurantes fecham uma hora depois, às 22, permitindo-se a permanência no interior até às 23 horas.

As feiras semanais não vão ser proibidas, exigindo-se a redução para 50% do número de feirantes. Nos cemitérios, a lotação será definida com base nas áreas dos espaços de circulação.

A presidente da Câmara anunciou ainda a suspensão de todas as atividades recreativas do município por tempo indeterminado e o reforço do policiamento na via pública para o cumprimento das medidas.

No leque de medidas destinadas a conter a propagação da covid-19, a Câmara de Matosinhos decidiu propor ao Governo a limitação de circulação de pessoas, com dever de permanência no domicílio, e ainda a implementação do ensino à distância para o terceiro ciclo, ensino secundário, universitário e profissional durante 15 dias, até 15 de novembro.

Luísa Salgueiro pede ainda ao Governo a "partilha da localização georeferenciada dos infetados e das quarentenas com os serviços municipais de Proteção Civil, bem como locais de deteção de surtos para acompanhamento e implementação de medidas".

"Não pretendemos saber a identidade dos infetados, mas a sua localização para que os serviços municipais possam fazer desinfeções de condomínios ou recolha de lixo mais sistemática e com redobradas medidas de segurança", explicou a autarca.

Na lista de recomendações às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) estão a adoção de "bolhas" (funcionário e educador exclusivo por turma) nos jardins de infância e creches, a aplicação do método de trabalho em espelho e por grupos nos lares e outras instituições com internamento e ainda a suspensão das visitas nos lares.

De salientar que, entre os dias 1 e 26 de outubro, o R0, número médio de contágios causados por cada pessoa infetada, foi de 1,6 em Matosinhos. Segundo os dados da unidade de saúde local, mais de três mil pessoas estão sob vigilância no concelho, sendo as gerações mais jovens as "mais afetadas". Ao todo, há registo de 1080 infetados. No contexto escolar há ainda 130 turmas em quarentena.

Jaime Batista, delegado de saúde de Matosinhos, explicou que o facto de o município ter "trabalhadores oriundos de muitos outros concelhos" acaba por "condicionar os valores que estamos a observar".

"Chegámos a um ponto em que há uma transmissão já na comunidade, difícil de identificar, e foi esta situação que a unidade de saúde pública fez chegar à senhora presidente", afirmou.

Segundo Taveira Gomes, presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos, há 62 doentes internados com covid-19 no hospital Pedro Hispano: 43 em enfermaria, seis nos cuidados intermédios e 13 em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), sendo que, nesta ala, há capacidade de resposta para 21 pacientes.

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