Conferência

Matosinhos assume-se como "cidade de boas práticas" rumo à descarbonização

Matosinhos assume-se como "cidade de boas práticas" rumo à descarbonização

Arrancaram nesta quinta-feira as Conferências do P3DT que procuram soluções mais sustentáveis para os espaços das cidades portuguesas e que reúnem empresários, urbanistas e académicos.

Empresários, urbanistas, geógrafos e académicos participaram no arranque das Conferências do P3DT - Políticas Públicas, Planeamento e Desenvolvimento Territorial que decorrem até esta sexta-feira no salão nobre da Câmara de Matosinhos e que incluem uma saída de campo por toda a área de Matosinhos Sul.

As conferências têm por tema a "Cidade Descarbonizada" e, como referiu na sessão de abertura a presidente da Autarquia, Luísa Salgueiro, "Matosinhos é hoje reconhecida pelas boas práticas do ponto de vista urbanístico e Matosinhos Sul é uma referência". Uma área de antigas unidades industriais ao abandono que acabou transformada numa zona urbana consolidada.

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O presidente da comissão organizadora, José Alberto Rio Fernandes, juntamente com o também geógrafo Jorge Ricardo Pinto, comanda esta tarde, pelas 17 horas, uma saída de campo depois de uma outra ocorrida ontem à encerrada refinaria da Petrogal, em Leça da Palmeira.

"Esperemos que o que vai acontecer a Norte, em Leça da Palmeira, seja também um bom exemplo urbanístico", acrescentou Luísa Salgueiro, dando o exemplo da gestão dos municípios na STCP como um "importante passo na descarbonização". Nesse contexto, apelou à Academia que ajude as autarquias com uma "abordagem supramunicipal de planeamento", que evite "abordagens em tempos diferentes e com formas diferentes".

No arranque das conferências, Joaquim Oliveira Martins, professor associado da Universidade de Paris-Douphine, explicou "por que somos tão dependentes do carbono", como os economistas veem o problema e a importância dos edifícios das cidades nesta problemática. "Através de dados comparativos vemos que entre 1970 e 2018 muito pouca coisa mudou e, apesar das atuais políticas, as previsões para 2025/2040 apontam que a energia continuará a ser produzida com base no carvão", salientou o académico. Isto, apesar "do PIB a nível mundial depender cada vez menos do carbono".

Segundo os investigadores, são as grandes cidades e as áreas metropolitanas que mais consomem energia e mais produzem dióxido de carbono (CO2). "As economias para crescerem têm de poluir e, depois, com os ganhos obtidos, têm capacidade para descarbonizar", afirmou José Gomes Mendes, professor catedrático da Universidade do Minho e antigo secretário de Estado do Ambiente e Mobilidade e também do Planeamento.

É o que acontece pelo menos desde 2005 em Portugal, fruto da redução da indústria transformadora e do aumento dos serviços. Aliás, é na Europa onde mais se investe na descarbonização e nas energias renováveis em resultado da "deslocalização das emissões para outras geografias", como Ásia e África. Mas, apesar da redução da produção de CO2, o setor dos transportes depende ainda muito das energias poluidoras.

"No entanto, não devemos ter vergonha do sistema de mobilidade porque trouxe desenvolvimento e ajudou no combate à pobreza. Ele tem é de ser reinventado", defendeu José Gomes Mendes, para quem "é importante haver incentivos e atrair pessoas para as novas práticas, alinhando o comportamento individual com o interesse público".

O primeiro painel dedicado à descarbonização e desenvolvimento terminou com a mesa redonda em que participaram José Reis, professor catedrático da Universidade de Coimbra, de Mário Vale, da Universidade de Lisboa, e de Teresa Sá Marques, da Universidade do Porto/CEGOT. Na tarde desta quinta-feira, o tema em debate será o Desenvolvimento, Governança e Urbanismo, que terá uma segunda parte amanhã de manhã

Esta edição das Conferências do P3DT em Matosinhos sucedem-se a outras já realizadas no Porto, Gaia, Ermesinde (Valongo) e Santo Tirso, destinando-se a técnicos superiores e dirigentes da administração pública local, intermunicipal e central, nos domínios do urbanismo, gestão urbanística e ordenamento do território, ambiente, economia e transportes.

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