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Matosinhos relembra tragédia que matou 152 pescadores

Matosinhos relembra tragédia que matou 152 pescadores

Quatro traineiras naufragaram a 2 de dezembro de 1947, enlutando várias comunidades piscatórias.

Passaram-se 75 anos, mas o tempo jamais apagará da memória a dor causada pelo naufrágio de quatro traineiras no dia 2 de dezembro de 1947. Morreram 152 e apenas seis se salvaram. Todos os anos a tragédia é relembrada e os pescadores lançam flores ao mar, tal como aconteceu na manhã desta sexta-feira na entrada do Porto de Leixões.

São muitas as famílias das comunidades piscatórias da Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Matosinhos, Afurada, Espinho e Murtosa que ainda hoje relembram os avós, pais e tios perdidos nos naufrágios das embarcações São Salvador, D. Manuel II, Maria Miguel e Rosa Faustino. "Somos filhos e netos e este é um miminho que podemos fazer às almas destes nossos familiares, lançando uma raminho de flores ao mar e rezar por eles. Foi uma tragédia como nunca tinha acontecido em Portugal. O mar estava bastante agitado naquele dia e eles arriscaram ao fazerem-se à barra. Foram centenas de famílias afetadas", conta Francisco Vareiro, mestre da embarcação Vitória Coentrão, que juntamente com o Reino de Cristo, Ilídio Martin e S. Pedro Pescador participou na homenagem.

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Programa especial

Luísa Salgueiro, presidente da Câmara de Matosinhos, e Fernando Rocha, vereador da Cultura, seguiram numa das traineiras. "Todos os anos fazemos questão de assinalar o aniversário do naufrágio. Nos 75 anos, resolvemos fazer um programa especial e variado, com o envolvimento das instituições do concelho ligadas à comunidade piscatória e descendentes dos que morreram no naufrágio", salientou a autarca, destacando a "relação fortíssima de Matosinhos com o mar e os pescadores."

O vereador, por seu lado, relembrou que "esta tragédia teve muitas repercussões na comunidade pois alguns filhos passaram a não querer seguir a profissão de pescador, o que era até então algo de quase obrigatório". "E os pais passaram a fazer um esforço tremendo para que os filhos estudassem e tivessem outras profissões", acrescentou.
Fernando Graça, mestre já reformado, perdeu dois primos do lado do pai e lembra-se do que os familiares mais velhos contavam. Diz que "as embarcações foram ao fundo ao sul da barra", entre o Porto de Leixões e a praia da Aguda, em Gaia".

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