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Operários da Novinco recorrem ao Tribunal

Operários da Novinco recorrem ao Tribunal

Os operários da Novinco apresentaram, ontem, quinta-feira, queixa na esquadra da PSP de S. Mamede contra a empresa que está fechada desde segunda-feira. Vão interpor, ainda, uma providência cautelar para permitir o acesso à fábrica.

Quando chegaram à fábrica em Leça do Balio (Matosinhos), os trabalhadores encontraram o portão fechado a cadeado. O cenário repete-se desde segunda-feira e, ontem de manhã, os operários apresentaram queixa na esquadra de S. Mamede contra a empresa.

Ao final da tarde, após reunião com o representante do Sindicato de Cerâmicas do Norte, os trabalhadores anunciaram que vão interpor uma providência cautelar para assegurar o acesso às instalações da Novinco. A entrada da acção em Tribunal ainda não tem data certa, mas, provavelmente, ocorrerá "no início da próxima semana", afirmou Miguel Pinto, representante da comissão de trabalhadores da Novinco.

"O despedimento de que estamos a ser vítimas é ilegal", disse Miguel Pinto. A fábrica entrou em processo de insolvência em Maio, mas os operários continuaram a trabalhar todos os dias. Só fechou a porta na segunda-feira.

Com os salários de Agosto em atraso e com as portas da fábrica encerradas, os trabalhadores pediram, ontem, ajuda ao governador civil do Porto. Este "ficou sensibilizado com a situação, mas o seu poder de decisão é restrito, uma vez que a empresa está em processo de insolvência", explicou Miguel Pinto. Contudo, o governador prometeu entrar em contacto com o administrador da insolvência, Bruno Vicente, para tentar dissuadi-lo de encerrar a fábrica. O fecho da Novinco vai pôr em causa 65 postos de trabalho.

"Algumas famílias estão a passar por muitas dificuldades, principalmente nesta altura em que começam as aulas", referiu Miguel Pinto. Os operários auxiliam--se uns aos outros através de colheitas de dinheiro para ajudar os colegas mais necessitados. Anteontem, em reunião com o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto colocou à disposição os serviços sociais da Autarquia para ajudar os operários.

Alguns dos trabalhadores já receberam cartas de demissão, algo que Miguel Pinto diz ser ilegal, uma vez que a empresa não pode encerrar sem antes efectuar uma reunião de credores, já agendada para 2 de Outubro. "A empresa está a fechar apenas por uma imprevisível inviabilidade", indicou.

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Abel Vieira, também representante dos trabalhadores, explica que o processo de produção está parado. Não há matéria-prima desde Abril. A empresa vende o material em stock. "Os problemas financeiros devem-se à má gestão desta Administração", concluiu.

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