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Pescadores em protesto bloqueiam lota de Matosinhos

Pescadores em protesto bloqueiam lota de Matosinhos

Cerca de quatro dezenas de pescadores passaram a madrugada de sexta-feira na lota de Matosinhos num movimento de sensibilização aos compradores e vendedores de pescado para a luta da classe. Os pescadores estão em greve desde a meia-noite de quarta-feira, em protesto contra a alegada "perseguição" por parte das novas equipas da Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da GNR. Da lota não saiu, durante toda a madrugada, um único peixe.

Temia-se que os ânimos se pudessem exaltar e, por isso, a acompanhar o protesto, estiveram a PSP e a Polícia Marítima. Nem pescadores, nem vendedores, arredaram pé da lota. Mas acabou a correr pelo melhor, menos na parte do negócio. Nenhum comprador da lota conseguiu despachar o seu peixe.

"De manhã e de tarde estivemos em Aveiro a sensibilizar os armadores de arrasto que também estão solidários com a nossa causa", começou por explicar ao JN, Trajano Martins, armador de pesca da Póvoa de Varzim.

"Viemos aqui [lota de Matosinhos] falar com os compradores, que nos prometeram que não vinham para aqui vender, e sensibilizá-los para esta luta. É injusto estarmos parados e não podermos pescar e eles comprarem noutras lotas e venderam aqui", explicou.

O problema começou há três semanas com as novas equipas à Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da GNR sob a alçada do comando de Matosinhos. Os pescadores queixam-se de "perseguição" por parte UCC e dizem que estão a ser multados por "lacunas" do Governo. Em protesto, do cerco à pesca artesanal, encostaram os barcos ao cais.

À porta da lota, a marcação era cerrada. Cada carrinha que se aproximava da saída era bloqueada pelos pescadores em protesto que, numa rápida inspeção, garantiam que os vendedores não levavam peixe.

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Mas o protesto de uns, é a desgraça de outros. "Todos temos o direito de fazer as nossas reivindicações e se os pescadores se sentem lesados devem procurar os direitos deles", clarificou Fátima Nora, 69 anos, vendedora na lota de Matosinhos. Contudo, acrescentou, os compradores estão a ser bastante prejudicados.

"No meu caso, os peixes são de viveiro e já os tenho desde segunda-feira. Se não os vendermos, vai ser um grande prejuízo ", insistiu Fátima.

Já Emídio Brito, comprador de peixe naquela lota há 30 anos, relativizou o problema por ter sido avisado com antecedência sobre o protesto. Reconhecendo os prejuízos provocados pelo bloqueio dos pescadores, admitiu que estão no "seu direito".

"Claro que há coisas que acho bem e outras que acho mal, mas têm a razão deles. E olhe, se faltar peixe um dia ou dois, ninguém vai morrer", disse.

Depois de uma noite em claro, os pescadores rumam para Lisboa esta sexta-feira, ao início da manhã, para uma reunião com a secretária de Estado das Pescas, Teresa Coelho.

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