Matosinhos

Providência cautelar para travar obras do quebra-mar de Leixões

Providência cautelar para travar obras do quebra-mar de Leixões

A Associação Negociata interpôs uma providência cautelar que visa suspender o ato administrativo da Declaração de Impacto Ambiental do prolongamento do quebra-mar de Leixões, em Matosinhos, e, consequentemente, a sua adjudicação.

"Se suspendendo uma [Declaração de Impacto Ambiental] a outra [empreitada] acaba por ter como consequência também ficar suspensa", explicou o advogado do processo, Miguel Santos Pereira, citado pela Lusa.

O estudo e a declaração de impacto ambiental padecem de uma "série de vícios e nulidades", defendeu.

"E se esta [Declaração de Impacto Ambiental] tem vícios que a colocam em causa, obviamente que a obra também vai ser colocada em causa", frisou o advogado.

Com um prazo de execução de 30 meses, a empreitada de melhoria das acessibilidades marítimas do Porto de Leixões, em Matosinhos, que compreende o prolongamento do quebra-mar em 300 metros e a dragagem da bacia de rotação, implica um investimento de 147 milhões de euros.

A obra já foi consignada pela Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL).

Miguel Santos Pereira afirmou que a providência cautelar "vem dizer", na sequência de uma recomendação da Assembleia da República, que o estudo e a avaliação de impacto ambiental que foi feita relativamente a esta matéria "não foi exaustiva, nem verificou todos os impactos e condicionantes, nem de que forma estavam salvaguardadas todas as questões ambientais na região envolvente".

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O advogado recordou que o Parlamento recomendou ao Governo que suspenda a adjudicação do quebra-mar de Leixões e outras obras associadas à expansão do porto, promovendo uma reanálise "apurada, rigorosa e global" de todos os projetos.

As quatro recomendações que o Parlamento aprovou, em 16 de outubro de 2020, tiveram origem numa petição com o nome "Diz Não ao Paredão", lançada em março de 2019, por este movimento.

"Quando há uma circunstância dessas em que a própria Assembleia da República, para um projeto concreto, faz uma resolução a pedir que sejam feitos estudos exaustivos e novos estudos de impacto ambiental mais profundos, as pessoas perceberam que algo não estava bem", referiu.

Em causa estão "questões ambientais puras e alguns impactos de relevância", sustentou Miguel Santos Pereira.

A "falta de fundamentação" do ponto de vista das questões ambientais é "atroz", classificou o advogado, apontando ainda "vícios de forma" assentes no facto da declaração não estar assinada e datada.

A isto, Miguel Santos Pereira acrescentou que numa avaliação deste género deve ser constituída uma comissão de avaliação, composta por diferentes organismos, e constituído um regulamento e, neste caso, "nada disto aconteceu".

A providência cautelar, que é contra a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o Ministério do Ambiente e da Ação Climática e a APDL, foi entregue no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto no final de março.

O causídico revelou ter recebido, entretanto, as resoluções fundamentadas relativamente à providência cautelar, apresentadas pela APA e a APDL, que estão alicerçadas "quase só na matriz económica".

"Como é que a APA, que tutela a salvaguarda das questões ambientais deste país, vem fazer a defesa dos interesses dos particulares nas questões económicas", questionou, para logo acrescentar: "Sendo assim, quem defende o ambiente?".

Miguel Santos Pereira explicou que o objetivo das resoluções fundamentadas é fazer com que o ato possa prosseguir até que o tribunal se pronuncie sobre a providência cautelar.

Segundo Miguel Santos Pereira, não se pode "a todo o custo levar para a frente" grandes investimentos independentemente dos danos ambientais que possam causar.

A Associação Negociata - Ninguém Espere Grandes Oportunidades com Investimentos Anti-Ambiente interpôs, em dezembro de 2019, uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Lisboa para suspender a Avaliação de Impacto Ambiental relativa ao novo aeroporto do Montijo.

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