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Refinaria de Leça. Sindicatos e Galp em impasse

Refinaria de Leça. Sindicatos e Galp em impasse

A reunião entre sindicalistas e a administração da Galp, decorrida nesta tarde de sexta-feira, em Lisboa, manteve o impasse das negociações. Os trabalhadores da refinaria de Leça da Palmeira marcaram plenário para segunda-feira.

Os sindicalistas insistem que a refinaria "é viável, que todos os dados o demonstram" e denunciam "o discurso evasivo" da empresa, que anunciou o encerramento da unidade de produção de Matosinhos a 30 de abril, a par do despedimento coletivo de 150 trabalhadores.

"Continuamos a defender que a refinaria de Matosinhos é essencial para a região e para o país, devido ao seu caráter petroquímico, às matérias que ali são produzidas, além dos combustíveis, e que, por isso, deve manter a atividade e os postos de trabalho", disse ao JN Telmo Silva, membro da Comissão de Trabalhadores, à saída da reunião com a administração da Galp.

Segundo este sindicalista do SITE-Norte, "a empresa continua a afirmar que está tudo em aberto" e a efetuar estudos de viabilidade económica e industrial. "É um discurso que não é concreto e que não tem qualquer tipo de objetividade. O que nós dizemos é que esses estudos deviam ter sido feitos antes de levar a cabo esta decisão", acrescenta.

Telmo Silva denuncia, ainda, a ação do Governo: "Decorridos cinco meses sobre o primeiro anúncio de encerramento da refinaria, continuamos a achar estranho que o primeiro-ministro, figura máxima do Governo, e o ministro do Ambiente se recusem a receber-nos, por muita insistência que tenhamos. Tudo parece estranho e deixa transparecer conivência com esta decisão da administração da Galp".

O membro da Comissão de Trabalhadores verificou, ainda, que o despedimento coletivo de 150 trabalhadores não foi assunto tratado na reunião desta sexta-feira - "É uma matéria que está a ser discutida com a Comissão Central de Trabalhadores e, pelo que sei, ainda está na fase de prestação de informações" -, mas também observa que tem "a perceção de que existe para ali uma grande confusão quanto ao número de trabalhadores implicados no despedimento e nos que estão ausentes desse processo".

"Na segunda-feira há plenário. Vamos avaliar o contexto todo, a situação da empresa, a intenção de despedimentos que está em curso e veremos que formas vamos adotar para arranjar uma solução para todos", afirma Telmo Silva.

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A Galp desligou a última unidade de produção da refinaria de Leça da Palmeira no 30 de abril deste ano, na sequência da decisão de concentrar as operações em Sines.

A empresa, entretanto, iniciou um despedimento coletivo de cerca de 150 trabalhadores da refinaria e chegou a acordo com 40% dos cerca de 400 trabalhadores.

Uma centena de trabalhadores permanecerão em atividade, no parque logístico da refinaria de Matosinhos, "Manterá as funções de abastecimento ao mercado de combustíveis do Norte do país, quer por via da mobilidade interna para as áreas das renováveis, inovação, novos negócios e também para a refinaria de Sines", precisou o administrador da empresa, Carlos Silva.

Mais de 30% do total dos trabalhadores da refinaria de Matosinhos irão manter-se, pelo menos, até janeiro de 2024, para as operações de desmantelamento e descontinuação.

O Estado é um dos acionistas da Galp, com uma participação de 7%, através da Parpública.

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