Matosinhos

Indústria, habitação, hotelaria e comércio nos terrenos da Petrogal

Indústria, habitação, hotelaria e comércio nos terrenos da Petrogal

Os terrenos da Petrogal, em Leça da Palmeira, Matosinhos, vão acolher um "Innovation District", que inclui habitação, hotelaria, comércio, serviços, indústria, equipamentos culturais e de lazer, assim como um parque verde. Uma das parcelas servirá para a criação de um polo universitário.

Certezas há, pelo menos, duas: que os terrenos da Petrogal não se destinam a uma refinaria de lítio, mas sim a um centro de inovação, e que lá nascerá habitação. O anúncio foi feito esta manhã de quarta-feira pela presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, e o CEO da Galp, Andy Brown.

Entre o Farol de Leça e a praia das Salinas, onde nos últimos 50 anos funcionou a refinaria de Matosinhos, nascerá uma pequena cidade tecnológica com vista para o mar. Além de centros de inovação e espaços para empresas e startups, haverá lugar para comércio e serviços, hotéis, restauração, habitação, equipamentos culturais e de lazer, e também um parque verde. Nada disto colide com o Plano Diretor Municipal (PDM), garantiu a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, ressalvando que "não haverá especulação imobiliária" naquele local.

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Uma das parcelas, que será cedida pela Galp à Câmara de Matosinhos, será para que a Autarquia, em conjunto com a Universidade do Porto, e através do Fundo para a Transição Justa, "crie um novo centro de ciências e de tecnologias". O objetivo, acrescentou a autarca, é que a universidade "cresça para Matosinhos, uma vez que a cidade do Porto também já não consegue responder às necessidades que a universidade apresenta".

Parque logístico será para manter

Das estruturas que o complexo reúne, o parque logístico, pela necessidade estratégica da região, vai manter-se. Nesse sentido, está também a estudar-se como diminuir a pegada ecológica dessa atividade. "[O parque logístico] terá de ser mantido, mas de alguma forma em separado [do centro de inovação]", clarificou Andy Brown. A trabalhar na refinaria mantêm-se 400 trabalhadores, acrescentou, dizendo que o despedimento de 120 funcionários, no ano passado, "foi uma decisão difícil".

Mas antes de construir, é preciso descontaminar e desmantelar a refinaria de Leça da Palmeira. O custo dessa operação ficará nas mãos da Galp - cuja verba a empresa já tinha previsto -, e obrigará a firma a gastar mais de cem milhões de euros, afirmou Andy Brown. Decorrem prospeções no solo para perceber qual o nível de contaminação de cada parcela e os resultados serão apresentados à Agência Portuguesa do Ambiente e às entidades regionais daqui a um mês, ou dois, acrescentou o CEO.

É certo que há partes do terreno onde nada foi construído e, por isso, "estarão disponíveis mais cedo", referiu o empresário, dando nota de que haverá "uma libertação progressiva" de parcelas para desenvolver os projetos. Projetos esses que não passarão, reforça Andy Brown, nem por uma refinaria de lítio nem "por uma grande indústria", mas sim por uma solução que permita àquela área ser uma das "primeiras no Mundo" neutra em carbono.

A primeira parcela de terreno poderá ser libertada em 2023 e as restantes até ao final de 2030, apontou o CEO.

Qual o projeto energético que permitirá atingir essa meta é a dúvida que persiste. Questionado sobre o que a Galp pretende fazer, concretamente, no que toca à área da energia, naqueles terrenos, Andy Brown afirmou que ainda não há uma solução específica para anunciar, mas que será conhecida à medida que for construído o "masterplan" para aquela área.

Dentro do 'hub' tecnológico que será criado, a própria Galp irá lá instalar-se.

No protoloco de cooperação, assinado nesta manhã de quarta-feira entre a Câmara de Matosinhos, a Galp e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), estima-se que o potencial impacto do futuro "innovation district", num prazo de dez anos, seja com a criação direta ou indireta de entre 20 a 25 mil postos de trabalho.

Fundo para a Transição Justa

"Os primeiros destinatários" do Fundo para a Transição Justa, cuja verba prevista para Matosinhos é de 60 milhões de euros, "são os trabalhadores", assegurou a presidente da Câmara de Matosinhos. Também o projeto com a Universidade do Porto receberá parte desta quantia.

Por sua vez, António Cunha, presidente da CCDR-N, notou que também a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) receberá verbas do fundo, uma vez que o molhe norte do Porto de Leixões, ligado à trasfega de combustíveis fósseis, terá de ser reconvertido noutra atividade. António Cunha diz ainda que o mesmo fundo prevê uma comparticipação de "uma linha de transporte público para servir aquela área".

O projeto vai ser desenvolvido no âmbito de uma equipa criada pela Galp e liderada pela antiga secretária de Estado da Indústria Ana Lehmann, que vai estudar a requalificação de toda a área ocupada pela refinaria já desativada.

A equipa muldisciplinar indicada pela Galp vai trabalhar em coordenação com um comité estratégico com representantes da empresa, da Câmara e da Comissão de Coordenação Regional.

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