Refinaria de Matosinhos

Reunião com a Galp dá aos trabalhadores da Petrogal uma "mão cheia de nada"

Reunião com a Galp dá aos trabalhadores da Petrogal uma "mão cheia de nada"

Os sindicatos e trabalhadores da Petrogal saíram, esta terça-feira, de uma reunião com representantes da administração da Galp com uma "mão cheia de nada", não lhes tendo sido apresentadas "quaisquer soluções concretas".

"Saímos mais convictos de que a motivação desta decisão é puramente económica", afirmou ao JN Telmo Silva, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energias e Atividades do Ambiente (Site-Norte) e trabalhador na refinaria. "O quadro de soluções é muito vago e não há qualquer perspetiva de futuro", acrescenta o sindicalista, assegurando que a empresa não está disponível para voltar atrás na sua decisão.

Questionada pelo JN, a Galp não quis comentar as críticas.

Dos 401 trabalhadores diretos da refinaria de Matosinhos, em Leça da Palmeira, 70 irão desempenhar funções no parque logístico em que se irá transformar, para já, aquele espaço. Inicialmente, a empresa anunciou que seriam 60.

Para os restantes funcionários, fala-se na mobilidade interna e na requalificação através do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). No entanto, não se sabe a quantos trabalhadores poderá ser apresentada cada uma das soluções. A requalificação não será, para os funcionários, uma opção viável. "Trata-se de adquirir novas valências para dar entrada noutro tipo de mercado de trabalho. Não é isso que se pretende", reivindica Telmo Silva.

Encerramento total entre abril e maio

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"O nosso objetivo era que a empresa assegurasse todos os postos de trabalho, mas já percebemos que, efetivamente, haverá despedimentos. Estão a atirar as pessoas para o desemprego", lamenta, salientando que não foi ainda definida uma data para o encerramento total da Petrogal.

No entanto, as "fábricas estão a trabalhar a níveis acima da média e a capacidades muito altas", o que pressupõe, esclarece Telmo Silva, uma tentativa de "esgotar o stock de produtos o mais rapidamente possível". Caso a atividade se mantenha a esses níveis, os trabalhadores apontam para que a refinaria encerre ainda mais cedo do que previam: entre abril e maio. Sobram-lhes pouco mais de três meses de luta.

Biocombustíveis perderam "viabilidade económica"

A possibilidade de reconversão da refinaria para biocombustíveis foi alvo de estudo, revelou Telmo Silva, mas a empresa considera que perdeu "viabilidade económica". "Portanto, encerra-se", criticou o sindicalista. "A justificação da falta de procura é um subterfúgio. Os aviões, os navios e os carros a combustão continuam a ser utilizados", observa o trabalhador.

Avançar com uma paralisação foi algo que já passou pela cabeça dos trabalhadores, no entanto, "fazendo isso, nunca mais voltam a ligar as máquinas e mandam o que faltar refinar para Sines", justifica Telmo.

O Sindicato da Indústria e Comércio Petrolífero (SICOP) também esteve presente na reunião. Esta tarde ainda será realizada uma reunião com a Comissão de Trabalhadores. "Estão apenas a cumprir calendário", critica o sindicalista.

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