Trabalho

Super Bock: a greve e o duelo de perspetivas

Super Bock: a greve e o duelo de perspetivas

Sindicato nota "grande adesão", "violações à lei" e "cadência de trabalho muito baixa". Cervejeira de Leça do Balio nega acusações e regista "apenas 13" grevistas entre 800 funcionários da empresa.

Paragens parciais de duas horas, em todos os turnos e durante cinco dias, desta quinta-feira até terça-feira, mobilizam os trabalhadores da cervejeira Super Bock por aumentos salariais de 90 euros, direito a 25 dias de férias e 35 horas de trabalho semanal, reivindicações mantidas desde dezembro do ano passado e que já originaram greves em março e junho.

O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) junta à causa de duas centenas de operacionais da produção mais 600 trabalhadores, administrativos, em teletrabalho, "que anunciaram a intenção de fazer greve". Denuncia, ainda, "pressões exercidas sobre os trabalhadores" e "alguns incidentes identificados como violação do direito à greve", "que serão denunciados às autoridades".

Segundo o SINTAB, no serviço de enchimento, durante a manhã desta segunda-feira, "as linhas estiveram quase totalmente paradas e só algumas funcionaram, com recurso a trabalhadores temporários". Noutros setores, de acordo com o sindicato, "a cadência de trabalho foi muito baixa, por falta de pessoal qualificado".

"No serviço de produção (adega e fabrico de cerveja), em que uma paragem exige procedimentos com seis horas de antecipação, a direção do serviço não precaveu a greve, impossibilitando que os trabalhadores a ela pudessem aderir sem pôr em causa, quer a segurança das instalações e equipamentos quer a qualidade do produto", acrescentou o sindicato. "Ou seja, os trabalhadores tiveram de abdicar do direito à greve", atalha Pedro Nuno Silva, da Comissão de Trabalhadores.

A Super Bock refuta as acusações do SINTAB e reafirma que "sempre pautou e continuará a pautar a sua atuação pelo cumprimento escrupuloso da lei".

"Neste primeiro dia, e até ao momento, foram 13 os trabalhadores que optaram por exercer o seu direito à greve. De recordar que o universo do pré-aviso são, aproximadamente, 800 trabalhadores. Significa, pois, que uma larga maioria dos trabalhadores da Super Bock Bebidas não se revê nesta greve, penalizadora da atividade da empresa, das suas marcas e dos seus colaboradores. Relativamente às afirmações que são veiculadas sobre a substituição de trabalhadores em greve, a empresa não pode deixar de afirmar que se trata de uma clamorosa inverdade", disse ao JN fonte da empresa.

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Em dezembro de 2020, os sindicatos reivindicaram aumentos salariais de 90 euros, direito a 25 dias de férias e 35 horas de trabalho semanal. O SINTAB diz que, numa primeira fase, a empresa recusou negociar, "na desculpa da pandemia", e que só aceitou sentar-se à mesa em fevereiro deste ano, quando apresentou uma proposta considerada como "aumento zero" para 2021.

"Os trabalhadores pediam aumento de 1%, com retroativos a janeiro. A empresa sugeriu um aumento de 25 euros, a partir de julho, sem retroativos em janeiro, o que não era aceitável", relembra Pedro Nuno Silva, que reclama a revisão do Acordo Coletivo de Trabalho, numa empresa onde "o salário médio bruto ronda os 1200 euros".

"Essa postura da empresa levou já a que os trabalhadores tenham estado em greve, durante o mês de junho, e deliberado, em plenário, a necessidade de a empresa apresentar propostas de aumento salarial condizentes com a distribuição de lucros aos acionistas que, em anos de pandemia, atingiram os valores mais altos de sempre", insiste o sindicato.

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