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Trabalhadores da Petrogal de Matosinhos exigem arranque da produção

Trabalhadores da Petrogal de Matosinhos exigem arranque da produção

A Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal disse hoje que vai continuar a exigir o retorno à laboração da refinaria de Matosinhos, que encerrou atividade em abril, e acusou o primeiro-ministro de "continuar a lavar as mãos do assunto".

Num comunicado intitulado "Pelo rearranque da refinaria do Porto", a Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal começa por referir que "ao contrário das pretensões da administração, parar as unidades não retira nada ao acerto e justiça das pretensões dos trabalhadores", pois acrescenta-lhes "determinação".

A estrutura representativa dos trabalhadores também aponta o dedo ao Governo, nomeadamente ao primeiro-ministro, António Costa, e ao ministro do Ambiente, Matos Fernandes, afirmando que "os governantes desmentem-se na praça pública tal é o frenesim gerado em torno da tão almejada transição energética que se faz à volta dos negócios chorudos do lítio e do hidrogénio".

Já em declarações à agência Lusa, o coordenador da Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal, Hélder Guerreiro, referiu que "a luta manter-se-á e ninguém se conformará" com o encerramento da Petrogal em Matosinhos, no distrito do Porto.

"Devemos continuar a luta agora pelo rearranque da refinaria", resumiu o responsável, remetendo para o texto do comunicado, no qual se lê que "todas as razões que justificam o retorno à laboração da refinaria do Porto mantêm-se válidas".

Os trabalhadores justificam esta posição com "a importância estratégica para o país" e referem que "a relevância social e económica são incontornáveis e apenas serão salvaguardadas com a retoma da laboração da refinaria".

Questionado sobre se a Comissão de Trabalhadores conseguiu recentemente alguma novidade sobre o processo junto da administração, Hélder Guerreiro disse à Lusa que apenas lhes foi comunicado, numa reunião a 28 de abril, o mesmo que a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, revelou na reunião camarária a 20 de abril.

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"Confirmaram que 100 trabalhadores irão ficar na empresa, o que deixa mais de 200 trabalhadores fora da solução. É inaceitável. Com refinaria ou sem refinaria, a preservação dos postos de trabalho é um imperativo O Grupo Galp tem 7.000 trabalhadores e tem todas as condições para absorver os colegas de Matosinhos", defendeu o coordenador.

A 20 de abril, Luísa Salgueiro referiu, segundo informações veiculadas por esta empresa à Câmara, que mais de 100 trabalhadores da refinaria de Matosinhos aceitaram manter o vínculo profissional com a Galp quer "seja neste complexo petroquímico, quer seja noutras operações que a Galp tem na e fora da região".

No comunicado difundido hoje, a Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal critica a colocação de trabalhadores "aqui ou acolá", por esta "não satisfazer minimamente as pretensões de salvaguarda de todos os postos de trabalho".

No mesmo texto, esta estrutura diz que "o primeiro-ministro continua a lavar as mãos do assunto, sem que se lhe tenha ouvido uma palavra sobre esta matéria tão importante para o país, ou relacionada com a distribuição de dividendos aos acionistas".

"A ele cabem-lhes os anúncios bons e bombásticos da criação de milhares de postos de trabalho, mesmo que sejam ainda uma miragem, aliás o que interessa isso depois de tanta propaganda balofa", conclui a Comissão.

A Galp encerrou a produção em Matosinhos no final de abril depois de ter anunciado o fecho em dezembro do ano passado.

De acordo com Hélder Guerreiro atualmente apenas se mantém "algumas manobras de limpeza e atividade logística".

O Estado é um dos acionistas da Galp, com uma participação de 7%, através da Parpública.

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