Indústria

Trabalhadores da Petrogal dizem-se sem respostas após reunião com ministro do Ambiente

Trabalhadores da Petrogal dizem-se sem respostas após reunião com ministro do Ambiente

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes reuniu, esta sexta-feira à tarde, com os trabalhadores da Petrogal, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente (Site) do Norte e pelo Sindicato da Indústria e Comércio Petrolífero (Sicop). Trabalhadores mostraram-se insatisfeitos e sem soluções.

Sem estudo macroeconómico apresentado sobre o encerramento da Refinaria da Petrogal, em Leça da Palmeira, Matosinhos, e sem "respostas concretas" quanto aos cerca de 1500 postos de trabalho que serão afetados por esta decisão, os trabalhadores daquela indústria saíram da reunião com Matos Fernandes, ministro do Ambiente, e com o Secretário de Estado da Energia, João Galamba, desapontados e criticando a falta de "soluções" apresentadas.

O ministro do Ambiente, por sua vez, referiu que o Fundo para a Transição Justa existe para "formar os trabalhadores, dar-lhes novas competências profissionais e fazer desenvolver negócios", garantindo ainda que "o Governo tudo fará para que sejam negócios ligados à energia", nomeadamente às energias renováveis. O governante disse, no entanto, "estranhar" que a administração da Galp ainda não tenha reunido com os trabalhadores sobre o encerramento da refinaria.

O governante salientou que este fundo, "em tese", poderia ser utilizado para a descontaminação dos solos que deixassem, eventualmente, de servir atividades industriais no que toca à utilização do carvão e procura pelos combustíveis fósseis. "No caso português, não vai ser", ressalvou. Essa "é uma responsabilidade das empresas", acrescentou.

A verba, de 200 milhões de euros, será regionalizada e, por isso, "gerida localmente", afirmou o governante, dando nota de que a Área Metropolitana do Porto terá um pólo dedicado a isso mesmo.

Perante estas explicações, dadas previamente aos trabalhadores durante a reunião, Telmo Silva, dirigente da Site-Norte, reafirma que "o Governo tem todas as responsabilidades neste sentido". O sindicalista afirma que Matos Fernandes referiu a necessidade de adaptação mas "não deu soluções".

Também Rui Pedro Ferreira, da Sicop, fez uma conclusão da reunião: "As respostas não são nada animadoras".

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Telmo Silva afirma que a reunião contou com um representante do centro de emprego que terá apresentado um "plano formativo a reinserção no mercado de trabalho". O dirigente clarificou que o pedido dos trabalhadores foi para que "a transformação fosse gradual" no caminho da transição energética sim, mas de forma a "aproveitar a infraestrutura ali criada". Isto porque, garante, "a sua destruição não será boa para o ambiente.

"Na transferência da refinação do Porto para Sines não vemos grandes ganhos, mas sim a transferência das emissões daqui para Sines. Vamos aumentar as importações, tráfego marítimo e de camiões com matérias perigosas", prevê o dirigente, referindo-se a produtos como o asfalto, químicos essenciais para a indústria farmacêutica e óleos base, que terão de ser, com o encerramento da refinaria, importados de outros países. Resta saber "a que custo", questiona Telmo Silva.

"Quando quisermos fazer uma reparação numa via pública, vamos ter de importar asfalto", nota o sindicalista.

No que toca à possibilidade do aumento das importações, com mais custos para o país, o ministro do Ambiente mostra-se tranquilo: "Boa parte desses produtos, com a introdução dos gases renováveis, serão produzidos de outra forma e, provavelmente, serão descontinuados".

Futuro dos terrenos

"Portugal tem uma estratégia para o lítio que não é de mineração. Tem cinco passos: aproveitar minerando o metal, refinando esse metal, criando condições para a produção de células e depois de baterias e reciclar o próprio lítio. Queremos muito que Portugal venha a ter uma refinaria de lítio. Há municípios interessados em recebê-la. Nenhum deles é Matosinhos", assegura o governante, recordando que uma parte do terreno será para atividade logística e distribuição de combustíveis.

Sobre a possível transformação da atual refinaria numa refinaria de lítio, "será a Petrogal a saber dar-lhe o seu destino, sabendo nós que aquele terreno, no Plano Diretor Municipal, tem uma vocação única, que é industrial".

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