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Refinaria de Matosinhos

Trabalhadores dizem que Petrogal foi abatida pela "bazuca"

Trabalhadores dizem que Petrogal foi abatida pela "bazuca"

Funcionários da Petrogal, em Matosinhos, acreditam que ainda é possível reverter decisão. "Desastre", diz vereador dos Transportes, Mobilidade e Proteção Civil, José Pedro Rodrigues.

Os trabalhadores da Petrogal não têm dúvidas: é a chegada da verba da "bazuca" da União Europeia para a transição energética que motiva a Galp a encerrar a refinaria de Matosinhos, em Leça da Palmeira. Uma decisão "egoísta, injusta e muito prejudicial para a região", consideram, alertando para o consequente aumento da dependência do país, uma vez que terá de começar a importar asfalto e outras matérias produzidas pelo complexo petroquímico.

"Estamos perante um processo que é criminoso e o que mais evidencia isso é a mudança de posição da administração da empresa, que se recusou a fechar portas quando se começou a discutir o roteiro para a neutralidade carbónica", diz Rogério Silva, coordenador da Fiequimetal. "Quando se falou na "bazuca", fez-se uma pirueta", acrescenta. "O interesse é meramente económico", reforça.

Ainda que as máquinas da fábrica de combustíveis estejam paradas há quase um mês, os trabalhadores acreditam que ainda podem reverter a situação. Num debate sobre o futuro da refinaria, que decorreu esta sexta-feira no Auditório Infante D. Henrique, em Leça da Palmeira, cedido pela Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), Telmo Silva, representante dos trabalhadores e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energias e Atividades do Ambiente do Norte (Site-Norte), recorda que "nem no contexto mais adverso [pandemia de covid-19] a refinaria parou".

No mesmo dia em que se debateu o futuro da Petrogal, a Galp Energia distribuiu 290 milhões de euros pelos acionistas. A empresa fechou o exercício de 2020 "com um resultado líquido positivo de 337,4 milhões de euros".

Desastre disfarçado

"O impacto ambiental vai ser pior do que ter aqui a refinaria", garante Rui Pedro Ferreira, do Sindicato da Indústria e Comércio Petrolífero (SICOP). "Os produtos vão ter de ser transportados e, além de poluírem, em termos económicos também vai ser pior para o país", esclarece.

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A discussão sobre o futuro da Petrogal contou com a participação do vereador dos Transportes, Mobilidade e Proteção Civil, José Pedro Rodrigues, que caracteriza o fecho daquele complexo como "um desastre disfarçado de um embuste que é difícil de explicar". "Não é uma transição energética, é uma sapatada".

Os trabalhadores recordaram ainda que após uma reunião em janeiro com o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, e o secretário de Estado da Energia, João Galamba, aguardam novo encontro. Durante a discussão, foi também criticado o "silêncio" do primeiro-ministro, António Costa, que "foi o primeiro a ter conhecimento da decisão".

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