Matosinhos

Vigilante morre na escola ao tentar acabar com zaragata

Vigilante morre na escola ao tentar acabar com zaragata

Um vigilante de uma escola da Cruz de Pau (Matosinhos) morreu quando tentava acalmar um estudante, de 15 anos, que iniciara uma zaragata na aula de ginástica. O funcionário sofreu um ataque cardíaco.

De acordo com o vereador da Educação da Câmara de Matosinhos, Correia Pinto, não houve qualquer "causa/efeito" entre "os momentos de exaltação" provocados, ontem de manhã, pelo aluno do 8.º A da EB 2/3 Óscar da Lopes, e a morte do vigilante José Correia, no gabinete da Direção Executiva.

Porém, segundo explicou o autarca, a situação ficou a dever-se a alguns "excessos de comportamento" de um aluno "problemático" durante uma aula de Educação Física. "O jovem, que teve gestos excessivos com outros colaboradores da escola, acabou por ser levado ao gabinete do Executivo por dois funcionários e foi nessa altura que um dos seguranças se sentiu mal", referiu Correia Pinto. Ainda segundo o vereador, o rapaz "institucionalizado", em regime aberto, está referenciado na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens. Como se andava a portar bem, fora--lhe dada uma nova oportunidade na escola. Foi levado pela PSP e ouvido no Tribunal de Família e Menores de Matosinhos.

Na EB2/3 Óscar Lopes, todos os funcionários estavam em estado de choque, em particular os que assistiram às manobras de socorro do INEM, que se revelaram infrutíferas. Muitos não conseguiam conter as lágrimas, enquanto se aguardava que o corpo de José Manuel Correia, de 56 anos, fosse levado para o Instituto de Medicina Legal, no Porto.

Foi por volta das 10 horas que tudo aconteceu. Edmundo, conhecido por "Maragata" e do Bairro da Biquinha, estava numa aula de Educação Física a jogar futebol e não terá gostado de estar a perder. Revoltou-se contra o professor e ter-se-á envolvido numa zaragata com um colega. Um dos seguranças da escola tentou acalmar o rapaz de 15 anos e o professor chegou a mandá-lo mais cedo para o balneário.

Edmundo, contudo, continuou com os distúrbios na zona dos vestiários, dando pontapés às portas. Acabou levado, por dois vigilantes da escola, para o gabinete da Direção Executiva. Foi aí que a tragédia se deu.

Ao tentar segurar Edmundo, um aluno problemático que já criara vários problemas na escola, José Manuel Correia, residente em S. Cosme (Gondomar), sentiu-se mal e, ao que tudo indica, teve um ataque cardíaco. "Ainda tentaram reanimá-lo, mas não foi possível fazer nada. Nem posso crer. Estamos todos em choque", disse, ao JN, uma testemunha.

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Imediatamente após o sucedido, todos os alunos foram mandados para casa. "Disseram-nos que tinha acontecido uma coisa muito má e que a escola tinha de encerrar", contaram vários alunos, recordando o último contacto com a vítima: "Ainda de manhã, lhe dissemos bom dia. Era muito simpático".

Os colegas de Edmundo, do 8.° A, foram os primeiros a ser retirados da escola e os funcionários foram proibidos de prestar qualquer informação. E nem a Direção da escola se mostrou disponível para prestar esclarecimentos.

Escola com problemas

De acordo com o vereador da Educação Correia Pinto, José Manuel Correia trabalhava como vigilante na EB 2/3 Óscar Lopes, contratado pelo Ministério da Educação, por se tratar de uma escola problemática. Segundo o que JN apurou, era um polícia reformado e tinha trabalhado nas oficinas da Esquadra da PSP da Bela Vista, no Porto. Correia Pinto adiantou ainda que o aluno, Edmundo, corre o risco de ser alvo de um processo disciplinar, movido pela escola que frequentava desde o 5.° ano. Também poderá ver agravado o processo que levou à sua institucionalização. "É um miúdo muito revoltado. Ficou pior quando morreu o pai, há um mês", contaram alguns moradores.

Vários elementos da Polícia estiveram, durante toda a manhã de ontem, na EB 2/3 Óscar Lopes, a acompanhar a situação do óbito do funcionário. Levaram o aluno para ser ouvido no Tribunal de Menores.

* com Alexandre Panda

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