Paredes

Aulas no recreio devido ao calor nas salas

Aulas no recreio devido ao calor nas salas

Mais de 300 alunos, do pré-escolar até ao 4º ano de escolaridade, foram retirados das salas para ter aulas no recreio do Centro Escolar de Rebordosa, em Paredes.

Os professores, que têm o apoio dos pais, justificam esta medida com as altas temperaturas registadas numa escola que ostenta enormes vidraças, mas que não tem qualquer janela que possa ser aberta.

A Câmara de Paredes, responsável pela gestão do estabelecimento de ensino, reconhece o problema, mas critica duramente os docentes que protagonizaram este episódio a poucos dias de começar a ser instalado um sistema de ar condicionado avaliado em 50 mil euros.

O Centro Escolar de Rebordosa foi inaugurado em dezembro de 2011 e custou mais de dois milhões de euros.

Pais apoiam medida dos professores

Os alunos da escola de Rebordosa começaram a ser retirados pelos professores das salas de aula logo após as 9 horas desta sexta-feira. Em seguida, cada turma sentou-se, no chão e em forma de círculo, no recreio do estabelecimento de ensino e as aulas tiveram início. Mas, quando o sol começou a atingir o campo de jogos, alunos e professores abandonaram o local e refugiaram-se noutros espaços exteriores da escola onde a sombra era mais protetora.

"Esta foi a melhor solução encontrada para que os alunos não ficassem em casa", explicou, ao JN, o diretor do Agrupamento de Escolas de Vilela, no qual está integrado o Centro Escolar de Rebordosa. "Em dias de calor, as salas atingem temperaturas elevadas que condicionam a aprendizagem dos alunos e tornam difíceis as condições de trabalho dos professores", acrescentou Albino Pereira.

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Também os pais dos alunos apoiam a medida levada a cabo na manhã desta sexta-feira. "Este é um problema com cinco anos. Em dias de calor, a temperatura nas salas de aula supera os 30 graus e as crianças chegam a casa com dores de barriga e de cabeça", garante Raquel Ferreira. "Estranhamos que uma escola nova tenha estas condições", complementa Vera Lírio. Estas encarregadas de educação alegam que o problema está relacionado com o facto de a escola "ter muitos vidros, mas nenhuma janela que dê para abrir".

Apesar deste argumento, o presidente da Câmara de Paredes defende que o protesto que decorreu em Rebordosa "é um oportunismo desavergonhado" levado a cabo por docentes que têm "falta de dignidade". "Todos sabiam que o ar condicionado vai começar a ser colocado na próxima terça-feira", justifica. Celso Ferreira diz também que não tem "dúvidas que o presidente da Junta de Rebordosa [um dos seus principais adversários políticos] está por trás desta ação". Esta acusação é, no entanto, desmentida por Albino Pereira. "A direção estava informada que haveria uma intervenção programada para aquela escola, mas não sabia a data em que iria acontecer", refere o diretor.

O Centro Escolar de Rebordosa custou cerca de dois milhões de euros e foi inaugurado no final de 2011, no âmbito da Carta Educativa de Paredes que, nos últimos dez anos, permitiu o investimento de 50 milhões de euros em 14 centros escolares. Quatro deles - Rebordosa; Vilela; Baltar e Recarei - vão agora ser equipados com sistemas de ar condicionado. "Esta questão está relacionada com a orientação solar destes centros escolares. O que acho estranho é não haver uma manifestação semelhante na Escola EB 2,3 de Rebordosa que tem condições muito piores. Só que esta escola não depende da Câmara", finaliza Celso Ferreira

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