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Ultramaratonista escreve livro sobre regresso à vida

Ultramaratonista escreve livro sobre regresso à vida

Augusto Oliveira viveu uma vida de excessos que o levou ao limite. Esteve perto da morte e voltou. E acredita que o acidente e o coma lhe mudaram a vida. Mas só encontrou a receita para voltar ao caminho certo quando reencontrou o prazer de correr. Agora dedica-se às ultramaratonas. Em livro conta algumas partes da sua experiência e quer mostrar que o primeiro passo é sempre acreditar.

Em "Correr fez-me livre - dos cuidados intensivos à ultramaratona", que foi apresentado no sábado na Casa da Cultura de Paredes, Augusto Oliveira expõe um passado em que passou de atleta de alta competição para as dependências do álcool e drogas. Isso levou-o a "uma vida sem regras", marcada pelo "desânimo, falta de objetivos, declínio físico, mental e emocional". Houve várias tentativas de reabilitação, frustradas, até que um acidente de mota quase o conduziu à morte e o atirou para um coma de um mês, duas cirurgias e três tromboses venosas profundas. "A possibilidade de sobreviver era quase nula" e os médicos antecipavam-lhe uma vida dependente de terceiros.

Seguiu-se uma recuperação lenta em que chegou a pesar 105 quilos. Só depois de "três anos de fisioterapia" fez o primeiro quilómetro, voltando a encontrar no desporto, mais concretamente no trail e na corrida a força de viver. Já fez mais de 87 maratonas e ultramaratonas - 30 delas acima dos 100 quilómetros de distância e das mais conceituadas do mundo, como a Tor des Geants (338 km) e a BadWater (217 km) - bem como mais de 100 provas com outras distâncias.

"Desde que comecei a corrida já tirei uma licenciatura, conquistei a minha filha, muita coisa se passou desde os meus 105 quilos até à primeira prova de 100 quilómetros. A corrida foi a minha melhor terapia", reconhece. O livro é uma prova de 340 quilómetros onde vai alternando entre as vivências do passado e as competições que disputa.

"Pôr este livro cá fora é quase como acabar uma ultramaratona, porque demorou muito, também devido à pandemia". A mensagem que quer passar é simples: "A nossa vida pode estar caótica e ser muito complicada, mas temos de acreditar sempre. É o primeiro passo".

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