Comboios do Porto

Passageiros entendem greve mas dizem que "é transtorno muito grande"

Passageiros entendem greve mas dizem que "é transtorno muito grande"

Greve parcial da CP na zona urbana do Porto decorreu, esta segunda-feira, entre as 5 horas e as 8.30 horas. Passageiros afetados lamentam ausência de serviços mínimos.

O parque de estacionamento meio vazio e o baixo número de pessoas dentro da estação de Novelas, em Penafiel, já mostrava que muitos passageiros habituais, sabendo da greve parcial, sem serviços mínimos, dos revisores e funcionários das bilheteiras da CP - Comboios de Portugal, que prometia perturbações na circulação dos comboios urbanos do Porto, procuraram alternativas esta segunda-feira de manhã.

Quem aguardava, lamentava mais esta paralisação dos funcionários da CP e os incómodos causados. Mas quem chegou por volta das 9 horas, quando passou o primeiro comboio urbano a ligar ao Porto, até comentava: "mas há greve?".

Na semana passada, aquando da greve de 24 horas a pedir aumentos salariais, "foi bem pior", ouvia-se no café da estação. Se muitos já terão optado por alternativas em termos de transportes, outros aproveitaram a passagem dos comboios regionais, às 7 e 8 horas.

Por isso, o movimento na estação era pouco. Ainda assim, havia quem esperasse há algum tempo. Cláudio Ferreira aguardava há 45 minutos. Foi apanhado "de surpresa" pela greve e estava atrasado para o trabalho. "Devia estar no Porto às 9.30 horas. Quem tem que usar o comboio, semana sim semana não, apanha com isto. Complica sempre a vida das pessoas", reconhece.

Quem já estava precavido era Jorge Vieira, que normalmente apanha o comboio das 6.45 horas, mas sabendo da greve veio só às 8 horas para a estação. "Devia estar no trabalho no Hospital de Santo António às 8 horas, mas como tinha conhecimento da greve avisei que chegaria mais tarde. Disseram que a partir das 8.30 horas havia comboio, mas ainda não passou nenhum", lamenta.

Também Ana Pereira, de Lousada, veio mais cedo para tentar a sorte. Não escondeu que estava "incomodada" pela ausência de serviços mínimos. "Tenho aulas, estão os alunos à minha espera sem saber se vão ter aulas ou não e é um transtorno muito grande", admite, falando numa situação recorrente. "Compreendo a greve, mas deviam garantir os serviços mínimos. Estou aqui sem fazer nada. Podia estar a trabalhar e não posso porque não sei se vem um comboio ou não", explica. "A esta hora costuma estar muita gente. Muitos já não devem ter vindo por saber da greve", testemunha.

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Ana prometia aguardar até por volta das 10.30 horas, mas acabou por embarcar no primeiro comboio urbano a passar, por volta das 9 horas. O mesmo aconteceu com Andresa Aroso. "O comboio é o meu transporte para o local de trabalho todos os dias. Por norma mais cedo, mas hoje ia trabalhar mais tarde. Só que o comboio foi suprimido", conta. Desconhecendo a greve de hoje, Andresa também aponta o facto de as greves serem recorrentes. "Já não vou chegar a tempo ao local de trabalho, na última segunda-feira acabei mesmo por não ir trabalhar. O patrão tem sido compreensivo, mas com tanta frequência torna-se complicado", refere a utente que ainda procurou alternativa de autocarro, sem sucesso. "Sei que têm direito a reivindicar, mas é complicado para quem depende deste meio de transporte", afirma. Enquanto falávamos chegou o comboio das 9.07 horas. "Afinal vou chegar atrasada, mas vou ter comboio", comentou enquanto se dirigia à plataforma.

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