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Alerta vermelho de cheias no rio Douro

Alerta vermelho de cheias no rio Douro

O nível de alerta de cheias no rio Douro subiu para vermelho devido à necessidade de realizar descargas nas barragens. As águas galgaram de novo a margem ribeirinha do Porto, devendo subir ainda um a 1,5 metros.

"Incrementámos o nível de alerta de cheias no Douro para vermelho, atendendo à grande quantidade de água nas albufeiras a montante, motivo pelo qual vão ter de fazer descargas que, conjugadas com a maré cheia que se prevê para esta noite, farão aumentar o nível da água", afirmou aos jornalistas Cruz Martins, numa das zonas atingidas pelas cheias, em Miragaia, no Porto.

A situação não se vai resolver esta sexta-feira, contou, acrescentando que as autoridades estão a monitorizar toda a situação nesta bacia hidrográfica que sofre descargas de águas de uma "série de rios afluentes", o que faz encher as barragens.

Contudo, Cruz Martins frisou que essas descargas são coordenadas.

Apesar de depois das 13 horas o nível das águas terem baixado nas zonas ribeirinhas do Porto e Vila Nova de Gaia, o capitão alertou para o facto de ser uma "situação aparente" porque, ao final do dia, as coisas vão piorar.

As águas do Douro galgaram de novo a margem ribeirinha do Porto às 17.48 horas, devendo subir ainda um a 1,5 metros até às 22.30 horas.

Um dos lojistas alertados pela Proteção Civil para a subida do nível das águas adiantou à Lusa que aquele organismo prevê que àquela hora se atinja o pico da maré.

Segundo a Proteção Civil, a água do rio Douro subiu cerca de um metro nas arcadas de Miragaia, inundado quase totalmente esta zona baixa.

No local, está de prevenção uma equipa de mergulhadores dos Bombeiros Sapadores do Porto, que trouxeram um barco para auxiliar um eventual resgate de pessoas.

A margem de Vila Nova de Gaia, ligeiramente mais alta do que a do Porto, deverá ser galgada pelas águas do Douro muito brevemente.

O comandante referiu que as zonas mais sensíveis são Miragaia, Foz, Afurada e ribeiras de Vila Nova de Gaia e do Porto, assim como a Régua, onde o rio subiu de forma "significativa".

Não se pondo a hipótese de risco de vidas humanas, Cruz Martins alertou, contudo, para a necessidade de as pessoas tomarem uma série de medidas para minimizar eventuais efeitos das cheias e, consequentemente, estragos materiais.

Por esse motivo, o comandante alertou a população para a importância de retirar bens de casas e de lojas, bem como não estacionar nas zonas mais sensíveis.

Cerca das 17.30 horas, nas poucas esplanadas ainda abertas na Ribeira, os donos começaram a informar os clientes de que iriam encerrar devido ao avanço das águas do Douro, facto que surpreendeu alguns turistas que tinham acabado de chegar para lanchar.

Um desses estabelecimentos foi o Café do Cais, onde a esplanada quase cheia começou, lentamente, a ficar livre para que se pudesse arrumar tudo antes da chegada da água.

"Estamos com o coração nas mãos desde ontem [quarta-feira]", disse à Lusa Paulo Figueiredo, responsável do café situado a menos de 10 metros de um rio cujas águas corriam veloz rumo à foz.

E prosseguiu: "Aos 51 anos, sempre a viver no Porto, pensava que já não iria voltar a enfrentar isto, mas o que se há de fazer", antecipando-se à pergunta sobre quem é o culpado, se o homem ou o clima, afirmando "só posso culpar a Elsa [depressão]".

Enfatizando o "poder da natureza", o gerente agradeceu a "forma pronta como a Proteção Civil" tem alertado para as situações de cheia desde o início do alerta vermelho.

Cerca de 50 metros ao lado, no Restaurante Mercearia a azáfama era a de arrumar tudo, contando à Lusa Mário Ferreira, num pátio onde já não estava a habitual esplanada montada, que "agora é esperar para ver"

"Fiz o possível para minimizar os riscos depois de nos ter sido dito que até às 22.30 horas o rio subirá entre um metro e um metro e meio. Tem de ser assim, pois as seguradoras não querem nada connosco", lamentou o responsável do restaurante.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tem esta sexta-feira sob aviso laranja (o segundo mais grave) 12 distritos de Portugal continental e a costa norte da Madeira devido sobretudo à agitação marítima. Leiria, Santarém e Portalegre estão sob aviso laranja também devido às previsões de precipitação forte durante a tarde.

O IPMA alertou para os efeitos de uma nova depressão, denominada Fabien, que atingirá Portugal no sábado, em especial o Norte e o Centro, estando previstos intensos períodos de chuva e vento forte de sudoeste, com rajadas que podem atingir 90 km/hora no litoral norte e centro e 120 km/hora nas terras altas.

Segundo o IPMA, os efeitos da depressão Fabien não deverão ter em Portugal continental a mesma intensidade do que os da tempestade Elsa, prevendo-se uma melhoria gradual do estado do tempo a partir de domingo.

O rio Douro galgou esta sexta-feira as margens e inundou zonas ribeirinhas de Vila Nova de Gaia e do Porto. As inundações deverão persistir ao longo desta sexta-feira e no sábado, devido à necessidade de descargas das barragens. Em conferência de imprensa, o comandante Cruz Martins, da Capitania do Douro, disse que, depois da preia-mar, verificada às 9.30 horas, a maré começou a vazar.

O caudal do rio Douro também galgou a avenida do Douro, em Peso da Régua, e os comerciantes da principal artéria da cidade, a João Franco, foram avisados para retirar os seus bens, disse o presidente da câmara.

Mais acima, na vila do Pinhão, no concelho de Alijó, o rio também inundou a zona ribeirinha, atingindo bares e restaurantes, bem como uma loja de vinhos e stands de venda de viagens de barco, uma zona de lazer e parque infantil.

A passagem da depressão Elsa, em deslocação de norte para sul, provocou em Portugal dois mortos, um desaparecido e deixou perto de 80 pessoas desalojadas, registando-se entre quarta-feira e as 12 horas desta sexta-feira cerca de 7000 ocorrências, na sua maioria inundações e quedas de árvore.

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