Porto

Aprovado encerramento da Feira do Cerco com votos contra da Esquerda

Miguel Amorim

Foto Arquivo/global Imagens

A Assembleia Municipal do Porto aprovou, esta segunda-feira, à noite, o encerramento da Feira do Cerco a partir de 1 de janeiro de 2022, tendo o vereador Ricardo Valente referido, entre os argumentos para o fecho, que "a feira, segundo a ASAE, é um dos maiores centros de contrafação do Norte do país". O Executivo não apontou ainda qualquer local como alternativa e CDU, BE e PAN votaram contra a decisão do encerramento.

A proposta foi aprovada com os votos a favor do movimento afeto a Rui Moreira e do representante do Chega. Optaram pela abstenção os parlamentares municipais do PS e do PSD. Elisabete Carvalho, do BE, adiantou que estão a ser recolhidas assinaturas para um abaixo-assinado no sentido de que a feira permaneça no atual local, numa iniciativa confirmada por Pedro Pereira da Silva, do PSD de Campanhã e que interveio no final da assembleia, ao dizer que "os feirantes não querem que a feira acabe".

Rui Sá explicou que o voto contra da CDU se deve ao facto de a Câmara não ter indicado um espaço alternativo. "Suspeito até que, atendendo ao ritmo de decisão do atual Executivo, nem no próximo ano o teremos [local alternativo]", acrescentou.

Na resposta às perguntas feitas durante a Assembleia Municipal, o vice-presidente da Autarquia, Filipe Araújo, que substituiu o ausente Rui Moreira, explicou que "os feirantes legais [do Cerco] terão lugar noutras feiras da cidade" e quanto à localização do futuro feiródromo, onde caberá a Feira do Cerco, disse que "o espaço está a ser estudado e que em devida altura a Câmara dará nota disso".

Na argumentação usada para o encerramento, Ricardo Valente começou por dizer que "a decisão não é fácil". O vereador afirmou que, em "200 feirantes, só 25 estavam legais" e que os restantes "175 não pagavam taxa, nem estavam registados". Ricardo Valente adiantou que, "segundo a ASAE, a feira é um dos maiores centros de contrafação do Norte do país". Também assinalou que "as ameaças feitas aos fiscais da Câmara não são uma fantasia".

Revelou que foi colocada a "hipótese de a feira passar para o interior do bairro, o que foi recusado pelos feirantes", e que igualmente a possibilidade de ser realizada só num dos sentidos da Avenida de Cartes não foi avante. "Estamos a falar com a Junta de Freguesia de Campanhã, com as comunidades e os feirantes legais, para encontrar um local que sirva os feirantes e o território de Campanhã", esclareceu.

Rui Lage, do PS, considerou "intempestivo" o encerramento. "O que é um feiródromo? Qual é a ideia do Executivo para a cidade? Isso preocupa-nos. A Feira da Vandoma passou das pedras para o alcatrão e futuramente passará para o feiródromo... Não somos indiferentes aos constrangimentos, mas a Câmara não devia colocar uma pedra sobre o assunto. O voto de abstenção é para que o Executivo não desista já", comentou.

Sobre o argumento usado relativo à abundância de feirantes ilegais, Rui Sá, da CDU, perguntou: "A Câmara do Porto consegue controlar ou não?" O deputado lembrou que "para a realização do Rali de Portugal, a Câmara conseguiu fechar partes da cidade", e que no último S. João, "a zona dos carrosséis na Rotunda da Boavista, também esteve devidamente cercada". Para o comunista, "se não há, para já, alternativa ao Cerco, a feira deverá ser mantida até à mudança".

A discussão foi longa. A bloquista Elisabete Carvalho sublinhou que o fecho da feira assenta em "falsas questões" e Vieira de Castro, do PAN, defendeu que por ser um evento de "proximidade, devia voltar para dentro do bairro".

Pacíficos, e aprovados por unanimidade, foram votados os pontos referentes à passagem de uma parcela de terreno, junto à Casa da Música, da Câmara para a Metro do Porto, no âmbito da construção da Linha Rosa, assim como o regulamento da Cartão Porto, que dá descontos nos serviços municipais e em atividades desportivas e culturais.

Ainda assim, o Cartão Porto suscitou reparos da CDU e do BE. José Varela, da CDU, qualificou de "positiva a gratuitidade no funicular dos Guindais", mas sugeriu que a mesma prática devia ser aplicada nas "viagens de elétrico".