Autárquicas

Rui Moreira teve de deixar BE passar para poder fazer arruada no Porto

Isabel Peixoto

 foto Pedro Correia/Global Imagens

 foto Pedro Correia/Global Imagens

A arruada de Rui Moreira no Porto, ao final da tarde desta sexta-feira, ficou marcada por um incidente. A Comissão Nacional de Eleições (CNE) notificou-o no sentido de não perturbar a iniciativa que o Bloco de Esquerda agendou para a mesma hora e para o mesmo local, a Rua de Santa Catarina. O presidente da Câmara e candidato independente chegou-se para o lado e deixou o BE passar.

Deixou o BE passar e ainda deu um abraço ao cabeça de lista, no momento em que se cruzaram. "Vai ser meu colega na vereação", disse-lhe Sérgio Aires, ao que Rui Moreira respondeu com um "Boa sorte". Apesar do burburinho gerado com a situação, o presidente da Câmara e os seus apoiantes fizeram um compasso de espera para evitar cometer um "crime de desobediência", como alertava a notificação da CNE.

Agastado com o classificou como uma atitude "autoritária, não escrutinada e antidemocrática", Rui Moreira perguntava-se: "Que competência tem a Comissão Nacional de Eleições para nos proibir?". E logo ironizou: "Se quiserem, mandem a polícia parar-nos. Espero que não".

"Não sei se a Comissão Nacional de Eleições vai multar o Sérgio Aires e o Rui Moreira por se terem abraçado", disse ainda, acrescentando que "isto é o Porto". Lembrou que ainda há dias, numa ação de campanha em Paranhos, se cruzou com a comitiva do PS e deu um abraço a Manuel Pizarro. No final da arruada desta sexta-feira, o autarca acabou por dizer que o "ato de profundo centralismo" da CNE "foi ótimo" para a sua campanha.

Ainda em declarações aos jornalistas, Rui Moreira referiu que o principal adversário das suas campanhas "é sempre" a abstenção. Acrescentou que tem como principais objetivos vencer a Câmara e a Assembleia municipais com maioria e, ainda, as juntas de freguesia a que o movimento "Aqui Há Porto" concorre, incluindo Paranhos (PSD). A propósito de não ter apresentado uma candidatura em Campanhã, referiu que o presidente da junta, Ernesto Santos (PS), "tem sido um grande parceiro" do seu executivo.

O advogado e antigo deputado centrista António Lobo Xavier juntou-se ao grupo de apoiantes já no final da arruada, pouco antes do jantar de fecho de campanha à volta de umas tripas à moda do Porto. Justificou o apoio a Rui Moreira por ver nele um "homem culto, inteligente e desempoeirado" e por considerar que foi "vítima de uma injustiça".

Lobo Xavier referia-se ao caso Selminho, pelo qual o autarca vai responder em tribunal, e ao facto de o advogado que Rui Moreira queria apresentar como testemunha não ter sido ouvido em sede de instrução. Conhecedor do processo, referiu que o presidente da Câmara "foi impedido de usar o único meio de defesa que tinha".