JardiNature

Fim de contratos de arrendamento vai deixar Porto "sem horto"

JN/Agências

Foto Pedro Granadeiro / Global Imagens

O Porto "ficará sem horto", disse o proprietário do JardiNature, que tem até 2025 para abandonar o espaço, porque o contrato de arrendamento não foi renovado, como aconteceu com o Horto da Boavista, encerrado desde maio.

Foi há cerca de três meses que António Garcez, proprietário há 22 anos do JardiNature, no Amial, recebeu a carta do senhorio dando conta de que o contrato de arrendamento, por um período de cinco anos, não seria renovado. Com o relógio já a contar, António tem dois anos e meio para abandonar o espaço que outrora fora a Quinta do Tronco, na zona do Amial, na freguesia de Paranhos, estando já a procurar outro espaço. A certeza, no entanto, é uma: na cidade do Porto é "impossível" face aos valores "astronómicos" que pedem.

Este é o segundo horto que irá fechar portas na cidade, depois de o Horto da Boavista ter encerrado a 30 de maio. "Assim, a cidade do Porto fica sem nenhum horto", observou à Lusa António Garcez.

Dizendo desconhecer que fim será dado ao espaço com mil metros quadrados, o proprietário salientou, no entanto, que o terreno é "um rebuçado muito apetecível" e, que se quisesse ficar com o mesmo, o valor inicialmente proposto rondava os três milhões de euros, tendo entretanto baixado para dois milhões. "É impensável", disse, apontando um "ataque desenfreado das imobiliárias", que a Câmara do Porto "está de certa forma a proteger", indicou, ressalvando não querer pessoalizar acusações.

Horto da Boavista fechou pelo mesmo motivo

Também em junho, o proprietário do Horto da Boavista, Jorge Santos, adiantou à Lusa que o contrato de arrendamento "não foi renovado" por vontade do senhorio e que, naquele local, situado na Avenida da Boavista e nas proximidades do Parque da Cidade, tencionavam construir habitação privada.

"Aquilo está situado numa zona nobre da cidade, numa zona cara onde há poder de compra", observou o proprietário, dizendo que lá não vai nascer "com certeza" um café ou salão de chá.

O terreno na Boavista encontra-se "Reservado" no site da imobiliária Re/max. Depois de consultada pela Lusa, uma fonte desta imobiliária encaminhou o assunto para a consultora Predibisa, segundo a qual naquele local está prevista a construção de "um projeto residencial".

Proprietário há oito anos do Horto da Boavista, Jorge disse não haver "volta a dar", até porque a "rentabilidade" do mercado imobiliário é diferente de um negócio que "vende plantas a dois euros".

Sem "volta a dar", as portas do horto fecharam-se a 30 de maio e, desde então, Jorge tem estado à procura de outro espaço na cidade onde possa voltar a instalar as suas plantas.

A Lusa tentou perceber se o encerramento destas valências era uma preocupação para a Câmara do Porto e se a mesma tencionava fazer algo para ajudar os proprietários, mas a autarquia preferiu não comentar o assunto.