Cultura

"Germano Arquivo". O guardador de memórias tripeiras

Germano Silva guia os primeiros visitantes da exposição|

 foto André Rolo / Global Imagens

"Germano Arquivo" estará aberta até 16 de janeiro|

 foto André Rolo / Global Imagens

Germano Silva na exposição inaugurada na Casa do Infante|

 foto André Rolo / Global Imagens

O talento do contador de histórias do Porto e o legado do decano dos jornalistas à mostra na Casa do Infante. Exposição abriu esta quinta-feira e vai até 16 de janeiro de 2022. A entrada é grátis.

"A ponte entre o jornalismo e a História", como lhe chamou Pedro Olavo Simões, jornalista aqui do JN, o "Soldado Prático", como se lhe referiu Silvestre Lacerda, diretor da Torre do Tombo, ou o "estudioso incansável", como o apresentou o historiador Amândio Barros. De todos os elogios - e mais um: "O Porto agradece-lhe a generosidade e o amor à cidade", acrescentou Rui Moreira, presidente da Câmara - Germano Silva saiu-se com a airosa simplicidade. "Muito obrigado", agradeceu o nonagenário homenageado na Casa do Infante, onde foi inaugurada a exposição do espólio que o próprio cedeu generosamente à cidade.

A exposição "Germano Arquivo" assinala o 90.º aniversário (Penafiel, 13-10-1931) do bibliófilo tripeiro. É um acervo de mais de 1300 documentos, num sinal de partilha, "ao serviço da comunidade", como Germano Silva observou, durante a cerimónia que antecedeu a inauguração e abertura do acervo ao público.

"O melhor património do Porto são as pessoas. A cidade somos nós todos", disse o decano dos jornalistas.

O legado de mais de 1300 documentos é o pecúlio de 70 anos de buscas e de recolha de pergaminhos, também na conciliação do jornalismo com a investigação histórica.

A coleção é constituída por livros, monografias, testemunhos manuscritos e muitos outros pergaminhos, recolhidos em muitas anos de frequência de leilões e de antiquários.

Descodificador

Entre áudios e diaporamas, a mostra é variado e "denuncia a metodologia do respigador e o talento do contador de histórias", como o antigo jornalista é descrito no anúncio da exposição.

Cartazes, recortes de jornais, álbuns fotográficos e tantos outros pergaminhos testemunham séculos de história da cidade e usos e costumes de outras épocas, como os revelados no "Livro dos namorados" ou no "Correio amoroso".

"O Germano é um descodificador da cidade", afirmou Rui Moreira. "Ninguém conhece o Porto como o Germano Silva", atalhou e conclui o historiador Amândio Barros.