Assembleia Municipal

Modernização dos semáforos no Porto "ainda vai demorar uns anos"

Miguel Amorim

Dotar o Porto com o novo sistema de semáforos vai demorar

Foto Artur Machado/global Imagens

A modernização dos semáforos na cidade do Porto "ainda vai demorar uns anos", segundo referiu, esta segunda-feira à noite, o vice-presidente da Câmara, Filipe Araújo, durante a Assembleia Municipal. Também disse que o processo de instalação das novas paragens de autocarros apenas "terminará em fevereiro de 2023".

O vice, que substituiu o ausente Rui Moreira, adiantou que "já foram alterados 100 conjuntos de semáforos", mas ressalvou que está prevista a modernização de "280 locais", pelo que o procedimento vai "demorar uns anos".

A resposta foi dada a uma questão colocada por Alfredo Fontinha, do PS, numa assembleia aproveitada pelas várias forças políticas para endereçar uma série de perguntas ao Executivo.

Entre outros temas, o Bloco de Esquerda, por Susana Constante Pereira, indagou a Câmara sobre que tipo de apoio poderá dar a "duas históricas companhias de teatro", como são a Seiva Trupe e a Pé de Vento, que "estão em risco" por falta de verbas. "Entendemos que o Município não lhes pode virar costas", sublinhou.

Filipe Araújo observou que só esta segunda-feira tomou "conhecimento" da situação. Prometeu que a Autarquia irá "analisar e acompanhar de perto" ambos os casos.

As novas paragens de autocarros voltaram a acentuar a clivagem entre a CDU e o Executivo liderado por Rui Moreira. O comunista Rui Sá acusou a Câmara de "falta de organização e de sentido" em relação à instalação das paragens.

Filipe Araújo defendeu-se, ao explicar que "estão em restruturação mais de 650 paragens, num processo iniciado no verão". Também anunciou que o processo só "terminará em fevereiro de 2023" e assinalou que "o material para as partes laterais chegou mais tarde".

Afirmou que, com a chegada deste material, estão a ser "corrigidos" aspetos menos positivos que vêm sendo apontados e que as partes laterais servirão para "proteger, da chuva, os passageiros", durante a espera.

Não satisfeito com os esclarecimentos prestados, Francisco Calheiros, da CDU, considerou que se "privilegiou uma negociata [com o vencedor do concurso] e não os cidadãos do Porto".

Despesa aumentou

Francisco Calheiros também perguntou sobre a reabilitação das ilhas da Lomba. O vice-presidente admitiu que a Câmara "ainda não tem um local para alojar as pessoas" enquanto decorrer a obra, mas garantiu que "todos os moradores regressarão depois às suas casas". Acrescentou "ter sido agora assinado o contrato" e que se está a "trabalhar no projeto prévio".

Raúl Almeida, do movimento afeto a Rui Moreira, lamentou que a Oposição se foque nas críticas e não na valorização do desempenho camarário. Apontou, a título de exemplo, a reabertura do Cinema Batalha, agendada para a próxima sexta-feira. Também lembrou que o Orçamento municipal para 2023, e aprovado na semana passada, é o "maior de sempre", cifrando-se em 385,8 milhões de euros.

No começo da assembleia, Filipe Araújo tinha dado conta da síntese financeira da Câmara, datada de outubro deste ano. Entre outros números, registou que a receita cobrada, de 300,8 milhões de euros, representa "menos quatro milhões de euros em comparação com o período homólogo". A despesa total sofreu um aumento de 14,3 milhões de euros, enquanto que a receita da taxa turística registou um acréscimo de 9,1 milhões de euros.

Ainda nas primeiras intervenções, ao usar da palavra, Paulo Vieira de Castro, do PAN, alertou para os efeitos da 'Xylella Fastidiosa', uma bactéria detetada no Porto e noutros pontos do país, que afeta plantas e árvores.

"É uma das piores pragas que o país já atravessou. É um problema gravíssimo. Não tem remédio. A solução é retirar árvores e plantas. No início da Avenida de Fernão de Magalhães, próximo da Areosa, vamos ter de retirar árvores", antecipou Filipe Araújo.

Na noite desta segunda-feira, a seguir à reunião ordinária, houve uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal, na qual foi aprovada, por unanimidade, a delimitação da Área de Reabilitação Urbana de Azevedo, em Campanhã.

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