Porto

Todo o Porto e mais algum no novo livro de Helder Pacheco

Isabel Peixoto

Natural da freguesia da Vitória, Helder Pacheco tem um novo livro de crónicas publicadas no JN e irá lançar o quinto volume em 2024

Foto Pedro Granadeiro / Global Imagens / Arquivo

"Ainda e Sempre Porto" é como se intitula o novo livro de Helder Pacheco, que será apresentado publicamente à cidade, a partir das 21 horas desta terça-feira, na Fundação Eng. António de Almeida. É o quarto volume de crónicas publicadas no JN e tem já um sucessor garantido, a editar em 2024, não sem antes o autor dar à estampa mais uma obra sobre a terra onde nasceu.

O momento será de anúncio e de homenagem. Helder Pacheco quer lembrar o amigo Júlio Couto, também ele investigador da história da cidade, que viu partir em abril de 2020, vítima de covid. Era ele quem lia os textos do autor nas sessões de apresentação de novos livros e, hoje, os presentes poderão assistir à leitura da crónica que encerra "Ainda e Sempre Porto", que lhe é dedicada. "Sem ele, a Fontinha não é a mesma e os tempos felizes que lá vivemos acabaram", recorda Helder Pacheco.

Ao todo, são 154 as histórias que o cronista e professor, natural da freguesia da Vitória, compilou neste livro e que foram escritas nos três anos anteriores à pandemia. Os textos publicados no JN daí em diante - sempre aos sábados - vão surgir num novo volume já em 2024, confidenciou-nos o autor. No próximo ano, Helder Pacheco irá publicar um outro livro sobre o Porto, tendo ainda em carteira duas outras propostas "cuja investigação está muito avançada".

Um desses livros será sobre as outras festas da cidade (que não o S. João), como o S. Bartolomeu da Foz ou a Senhora da Saúde, em Paranhos. "Chegou a haver mais de uma centena de festas", lembra ao JN, gracejando: "Era quase um santo por rua". O outro será sobre o Entrudo, "uma grande tradição que se perdeu". Ainda não há datas para que estes novos escritos vejam a luz do dia e até sobre isso o investigador brinca: "O meu pacemaker tem de aguentar-me mais uns tempos".

"Ainda e Sempre Porto", cuja apresentação será conduzida por Inês Cardoso, diretora do JN, e por Filipe Araújo, vice-presidente da Câmara do Porto, é um livro onde cabe "todo o Porto e mais algum, que são os portuenses", refere. Aos 85 anos, Helder Pacheco continua atento à cidade onde nasceu e, sobretudo, continua a servir-se da escrita como "forma de intervenção", criticando o que está mal e elogiando o que é positivo.

Considera que o Porto "atravessa um bom momento" e que até "saiu da covid com um prestígio intocado", mas precisa de recuperar habitantes. Apesar de ver como positivos na cidade os impactos causados pelo turismo e pela reabilitação urbana - aponta as ruas de Mouzinho da Silveira e das Flores como bons exemplos de reabilitação -, diz que o Porto estaria melhor "se fosse capaz de reganhar os seus habitantes". Só as "boas políticas" poderão fazê-lo, adverte.

A propósito, lembra que o Plano Diretor Municipal de 1962, elaborado pelo arquiteto francês Robert Auzelle, previa para o Porto meio milhão de habitantes em 2000, mas os censos mais recentes (2021) estão muito longe disso e fixam a população da cidade em 231 800 pessoas. Melhorar as condições de habitação para atrair a classe média, em particular em termos de custos, seria, no seu entender, um dos passos a dar.

"A minha ignorância é cada vez mais especializada, porque só estudo o Porto", volta a gracejar o autor, que se considera um "falso tradicionalista", uma vez que gosta da mudança. Investigador e escritor, Helder Pacheco continua a dar duas aulas por semana no Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes.