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Antiga estação ferroviária da Boavista ardeu de madrugada

Antiga estação ferroviária da Boavista ardeu de madrugada

Deflagrou na madrugada desta sexta-feira um incêndio na antiga estação ferroviária da Boavista, no Porto, para onde está previsto o El Corte Inglés da cidade.

As causas do fogo, que terá começado por volta das 3 da manhã, ainda estão por apurar. Certo é que uma equipa da investigação criminal está a acompanhar o caso.

Os Bombeiros Sapadores do Porto combateram as chamas com 12 operacionais. Ficou destruído todo o telhado e relógio do edifício.

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Através de um comunicado, o Movimento Por um Jardim Ferroviário na Boavista já veio, esta sexta-feira, lamentar o ocorrido, suspeitando de "fogo posto".

"O Movimento não deixa de notar a estranha coincidência de este ato lesivo de património público ter acontecido praticamente a seguir à publicação da notícia que dava conta do pedido de classificação da estação como imóvel de interesse municipal, ao qual vários partidos políticos com assento na assembleia municipal do Porto manifestaram opinião favorável, e num momento em que o edifício sofre uma enorme pressão para a sua demolição para dar lugar a um espaço comercial".

Do mesmo modo, o Movimento referiu que "espera que as autoridades competentes apurem as causas e responsáveis pelo incêndio contra a primeira estação ferroviária do Porto, inaugurada em 1875", aguardando também que a "Infraestruturas de Portugal se pronuncie sobre este
ato que danificou propriedade pública sobre a sua tutela e que a Câmara Municipal do Porto seja célere a deferir o pedido de classificação da estação como imóvel de interesse municipal, fornecendo-lhe a devida e necessária proteção".

De recordar que o projeto da cadeia espanhola está em volta de polémica, por parte de forças políticas e movimentos de cidadãos.

Em causa está a intenção do El Corte Inglés de se instalar na terreno da antiga estação ferroviária da Boavista depois de a cadeia comercial espanhola ter paga à Infraestruturas de Portugal, proprietária do terreno, 18,7 milhões de euros, submetendo à Câmara do Porto, em outubro de 2019, um Pedido de Informação Prévia (PIP) para a construção de um grande armazém comercial, um hotel e um edifício de habitação comércio e serviços.

PIP esse que, em outubro passado, teve um parecer favorável por parte da Autarquia, liderada por Rui Moreira, com "a indicação das várias condições que deverão ser cumpridas no âmbito de um pedido de licenciamento da operação de loteamento".

Em reação a isto, no passado dia 30 de outubro, junto a uma faixa onde se lê "Precisamos mesmo de mais um centro comercial? Porto - Uma cidade para pessoas", colocada pelo BE do Porto na estação de metro da Casa da Música e próxima do acesso pedonal para o terreno da antiga estação ferroviária da Boavista, o deputado Pedro Lourenço acusou a Câmara do Porto de "secretismo" e a tutela de "falta de transparência".

"Este projeto é um erro político porque ignora o debate que se está a fazer sobre o novo Plano Diretor Municipal. E é um erro urbanístico porque esta zona já está muito sobrecarregada", disse o deputado.

Também a CDU criticou a decisão do Município do Porto de autorizar a instalação do El Corte Inglés num espaço antes ocupado pela estação ferroviária da Boavista, considerando que o terreno constitui "importância estratégica para a intermodalidade da cidade".

O projeto da cadeia espanhola para a antiga estação ferroviária tem sido também alvo de contestação por parte de um grupo de 60 personalidades ligadas à Academia e ao património ferroviário, que pedem a classificação como imóvel de interesse público daquele local, defendendo a importância da preservação da antiga estação ferroviária.

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