Diversão noturna

"As pessoas estão muito alegres, há muita euforia e vontade de dançar"

"As pessoas estão muito alegres, há muita euforia e vontade de dançar"

Ainda não é a afluência pré-pandemia, mas a segunda madrugada em que bares e discotecas puderam estar de portas abertas foi animada na Baixa do Porto, com ruas cheias e pistas de dança a fervilhar de gente sem máscara ou distanciamento, desde adolescentes a sexagenários.

É quase como se a covid-19 fosse já pretérito mais ou menos longínquo: com a vacina tomada e o certificado digital a comprová-lo, o receio de contrair o vírus parece ter ficado para trás, e encontrar alguém de máscara no rosto era, na noite portuense deste sábado, a verdadeira exceção.

"A vida tem de continuar. Até podemos ter covid, mas temos de continuar, porque a economia não aguenta de outra forma, e eu não consigo viver sem me divertir", sorria Fernando Nunes, cliente antigo do Café Lusitano que deixou o medo à porta ao perceber que o bar da Rua José Falcão não estava lotado.

"Fiquei contente de o encontrar assim. Achei que hoje ia ser uma loucura disparatada, e antes de vir para cá liguei a perguntar como estava. Se estivesse gente a mais era desagradável. Se calhar vinha, mas ficava menos tempo", avaliava o portuense, que disse sentir-se mais seguro do que há um mês.

Expectativas moderadas

"A casa não está lotada, mas estava à espera exatamente disso, contrariamente ao que muita gente pensava, que ia ser uma loucura total e que ninguém cabia", observou Mário Carvalho, proprietário do Café Lusitano, que perto das 2 horas deste sábado tinha registado a entrada de cerca de 200 clientes no estabelecimento. "As pessoas estão muito alegres, há muita euforia e vontade de dançar. Há uma ou outra [pessoa] que ainda tem algum receio, mas acho que a maior parte não. Acho que está a correr muito bem", apontou o empresário.

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"Ainda é uma coisa estranha. A primeira vez que tive contacto com festas foi na Madeira, há três semanas, quando fui a uma festa como esta, e, embora fosse ao ar livre, quando dei por mim estava com os lábios cerrados e a passar de costas para as pessoas. Foi estranho. Não imaginei que este tempo todo me tivesse traumatizado tanto como traumatizou", contou Fernando Nunes, que agora se confessa "muito contente por voltar à normalidade" e à noite do Porto. "O contacto humano era necessário. Estava a fazer falta o beijo, o abraço, o contacto visual...".

Na zona das Galerias de Paris, o bar-discoteca Griffon's também não registava o número de entradas pré-pandemia, mas a lotação superou as expectativas de Carlos Machado. "Está a correr bem. A afluência tem sido boa. Não sabemos como vai ser daqui para a frente. Como é a primeira noite, não dá para tirar ilações nenhumas", analisava o sócio-gerente do estabelecimento, que contabilizava cerca de 150 clientes, abaixo dos "200 e tal" que registava antes da covid-19. "Estava a pensar em menos [afluência], porque ainda há pessoas com muito receio", revelou o empresário.

Elisabete Barbosa, que frequenta o mítico Griffon's desde a abertura no centro comercial Brasília, em 1979, sentia-se "muitíssimo segura" no regresso à pista de dança. "Com 85% da população vacinada, eu tenho de me sentir segura, sem receio nenhum, porque exigem o certificado à entrada".

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