Presidenciais francesas

Assembleia do Porto com expectativa de maior afluência do que na primeira volta

Assembleia do Porto com expectativa de maior afluência do que na primeira volta

Às primeiras horas deste domingo, já tinham votado cerca de 400 pessoas na mesa instalada no Liceu Francês Internacional do Porto, destinada a 4500 eleitores residentes nesse distrito e também nos de Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, Guarda, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu. As urnas abriram às 8 horas e a expectativa é que seja ultrapassado o número de votantes da primeira volta.

Paulo Fernandes, secretário da mesa de voto e diretor-adjunto do estabelecimento de ensino, recordou ao JN que na primeira ronda das presidenciais francesas, no passado dia 10, foram 1100 os eleitores que votaram na mesa do Porto. "Hoje vieram mais cedo de manhã. Houve uma grande afluência", relatou, acrescentando que, à hora de abertura da mesa, a fila já tinha 30 a 40 pessoas.

Convicto de que a afluência às urnas seja maior do que no dia 10, justificou: "Como é a segunda volta, é decisivo. As pessoas querem votar". Pelas 11.30 horas, já por ali tinham passado cidadãos franceses (ou com nacionalidade francesa e portuguesa) provenientes do Grande Porto, mas também de Castelo Branco, Chaves ou Figueira da Foz.

O responsável acredita que nas legislativas de 12 de junho a participação venha a ser ainda maior, porque "vão inaugurar o voto eletrónico" e muitas pessoas poderão exercer o seu direito a partir de casa, embora seja mantida a assembleia naquele local.

Ao final da manhã, o JN encontrou, sobretudo, eleitores com a dupla nacionalidade, muitos com residência no distrito do Porto e outros que, apesar de viverem na cidade, foram passar o fim de semana prolongado fora, mas fizeram questão de interromper o descanso para ir votar.

Foi o caso de Michèle Lagorsse, de 77 anos, que durante mais de três décadas deu aulas precisamente naquele estabelecimento de ensino, então Escola Francesa. Vive no Porto e estava nas Caldas da Rainha com o marido, Celso Pontes, e os filhos, mas não deixou de exercer o dever cívico. "Achamos muito importante votar, sobretudo hoje. Tem de ser, se não a França vai abaixo", disse ao JN.

Por seu lado, Yves, engenheiro aposentado que trabalhou em obras públicas em África, interrompeu as férias no Algarve para ir votar. "A segunda vez é decisiva", afirmou, para logo acrescentar: "É a única solução do povo para decidir o que se passa, na condição de que os políticos cumpram as suas promessas. E, se não se vota, depois também não se pode criticar o Governo".

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Com 73 anos, Yves é casado com uma portuguesa e vive no Porto há três anos. Lembra que votar "é um dever cívico" e vai mais longe: "Penso que o voto deveria ser obrigatório".

Sem raízes em Portugal, Roland de Rosière antecipou o regresso a casa e foi direto do aeroporto para o local de voto. Com residência na Invicta, tem 61 anos e graceja com o facto de ser "o chamado francês estrangeiro", pois as suas obrigações profissionais levam-no a viajar com frequência. Não votou na primeira volta, "por falta de eficiência burocrática", mas neste domingo não faltou.

"O presidente que for eleito tem pela frente uma situação mundial preocupante", afirma Roland, aludindo à guerra na Ucrânia e a uma circunstância que afeta muitos outros países, em particular agora, que é a inflação. Antes de votar, ainda nos sorriu ao dizer que, apesar de não ter família portuguesa, sempre gostou de Portugal, "desde pequenino". "Tenho lembranças do verão", concluiu.

Ana Pereira, de 65 anos, vive em Gaia e garante ao JN que, ainda que vivesse longe do Porto, não deixaria de votar. Diretora da escola Aliança Francesa, considera que o ato eleitoral deste domingo é ainda mais importante do que o do dia 10, por ser decisivo. "Hoje é um voto útil", disse-nos.

"Há quem não esteja satisfeito com Macron e também quem não queira a extrema-direta no poder", referiu Andrea Graça, de 45 anos. Natural de Estrasburgo, está em Portugal há 15 anos, vive em Aveiro e não votou na primeira volta.

"Achei que o mais decisivo seria agora. É o futuro de França e da Europa que está em jogo", justifica Andrea, sem deixar de mostrar alguma apreensão quanto aos indecisos: "São a grande dúvida e podem fazer com que haja surpresas. Espero que não". Apesar disso, diz-se "muito confiante" e lembra os ideais da Revolução Francesa, que cita na língua materna: "liberté, égalité, fraternité", isto é, liberdade, igualdade, fraternidade.

Frederico Amador também lembra o mote de 1789 e outros legados da história francesa para afirmar que o voto "não só é um direito, como é um direito que é resultado da democracia". Professor no Liceu Francês Internacional do Porto, reside em Braga e sempre votou, também nas eleições portuguesas.

A expectativa deste docente de 46 anos em relação às presidenciais francesas é esta: "Que este ato democrático continue com a democracia e o estado laico que vivemos em França". Isto, porque aponta ao país "contradições gigantescas". "E cabe ao povo decidir", conclui.

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