Porto

Associações denunciam "mutilações" ambientais na expansão do metro

Associações denunciam "mutilações" ambientais na expansão do metro

Quatro associações denunciaram, esta sexta-feira, as "mutilações" ambientais previstas com a extensão da rede de metro, contestando a destruição de três jardins no centro do Porto e o abate de mais de 500 sobreiros em Gaia.

"Perante os impactes negativos reconhecidos pelas próprias entidades que os estudaram, é surpreendente que o projeto [da linha Rosa, que vai ligar São Bento à Casa da Música, no Porto] não tenha sido reprovado", alertam, num texto divulgado pela associação ambientalista Campo Aberto. Para os ambientalistas, os benefícios desta linha não compensam "de forma nenhuma os custos" patrimoniais e ambientais, entre outros.

As associações consideram estar em causa está uma linha de metro com um "elevado risco" para o património natural e edificado, como a Torre do Clérigos, que "dá uma fraca resposta às necessidades de mobilidade dos cidadãos".

No texto, intitulado "Alerta aos cidadãos: três jardins do Porto e 503 sobreiros em Gaia ameaçados de mutilação e abate", refere-se que foram enviadas exposições às entidades envolvidas, procurando evitar a destruição de património ambiental.

No caso do Porto, as quatro associações enviaram uma carta aberta ao presidente da autarquia, o independente Rui Moreira, alertando para a iminência "de graves destruições" em três jardins na zona central da cidade decorrentes das obras programadas da Linha Rosa.

Em causa estão os jardins da Rotunda da Boavista, do Carregal e o jardim de Sophia, na Praça da Galiza, "jardins históricos, românticos ou herdeiros imediatos desse período".

"A única solução aceitável será aquela que mantiver a integridade dos jardins, admitindo-se apenas impactos mínimos. Qualquer outro cenário representará mais uma agressão sobre a urbe, que consideramos intolerável, face a outras tantas agressões anteriores de que nunca recuperou", sublinha-se na missiva.

As associações apelam a uma intervenção de Rui Moreira que permita repensar e suspender "a ameaça que paira" sobre estes três jardins.

Assinalam ainda que, embora a maior parte das decisões esteja já tomada, "parte dos requisitos dos processos de aprovação, ou estão ainda por completar, ou parece nem sequer terem sido empreendidos, pelo que a possibilidade de evitar os danos é mais evidente".

Os signatários sublinham que os impactos no património arbóreo da cidade estão bem descritos no Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE), de fevereiro de 2020, divulgado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

No caso do Jardim do Carregal está prevista a "remoção de duas árvores históricas em bom estado fitossanitário" e no Jardim de Sophia (Praça da Galiza) serão abatidos 65 exemplares arbóreos.

Prevê-se ainda o "abate/transplante das árvores ao longo da rua de Júlio Dinis, no passeio Poente" e, na Boavista, ao longo do passeio Este da avenida de França.

O relatório menciona ainda que será "impossível evitar a interferência" da obra com o monumento aos Heróis da Guerra Peninsular, situado no jardim da rotunda da Boavista (praça Mouzinho de Albuquerque).

As quatro associações alertam ainda que em Gaia, devido à extensão da Linha Amarela entre Santo Ovídio e Vila D'Este, está previsto o abate de 503 sobreiros, espécie protegida que, em dezembro de 2011 foi designada pela Assembleia da República Árvore Nacional de Portugal.

Neste caso, foi enviada uma exposição para evitar "essas mutilações e abates" ao Conselho de Administração da Metro do Porto, à APA e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

O documento seguiu ainda para a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) e para o presidente da Câmara Vila Nova de Gaia, tendo sido pedida a todas estas entidades uma reunião urgente.

Para além da Campo Aberto, assinam as missivas a Associação Cultural e de Estudos Regionais - ACER, o Clube Unesco da Cidade do Porto e o NDMALO - Núcleo de Defesa do Meio Ambiente de Lordelo do Ouro - Grupo Ecológico.

A Lusa questionou a Metro do Porto, mas até ao momento não obteve resposta.

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