Porto

"Atraso no Materno-Infantil foi negativo"

"Atraso no Materno-Infantil foi negativo"

Depois de passar pelas administrações do S. João e do Instituto Português de Oncologia do Porto, Pedro Esteves, 56 anos, assumiu, em Junho de 2009, a liderança do Centro Hospitalar do Porto (CHP), sucedendo a Sollari Allegro.

No último ano e meio, enfrentou uma dura batalha com a Câmara do Porto para aprovar a obra do Centro Materno-Infantil. Ganhou os utentes de Gondomar e vai gerir também o Joaquim Urbano, para além da Maternidade Júlio Dinis, do Hospital Maria Pia e do Santo António.

O Centro Materno-Infantil (CMIN) foi a sua prova de fogo?
Não diria isso, mas foi realmente uma conquista fundamental para o CHP, para a cidade e para a região. É um equipamento para substituir instalações antigas e com riscos de segurança. A ideia não é acrescentar serviços, mas dar melhores condições a utentes e profissionais.

Quando assinou o protocolo de financiamento para o CMIN, em Julho de 2009, alguma vez imaginou a batalha que teria pela frente?
Não, embora a minha experiência  na área da gestão hospitalar me diga que nada é pacífico, nem inquestionável. Se na altura me perguntassem, eu não acreditaria que isto ia acontecer. Foi um atraso considerável e com impacto negativo. Mas o importante é destacar a colaboração que, entretanto, houve entre a Câmara, o CHP e a Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN), que levou a uma solução consensual, sem comprometer a viabilidade técnica do projecto.  

Não achou um mau prenúncio nesse evento não ter estado  nenhum representante da Câmara?
Realmente, agora à distância, e percebendo-se a importância que o equipamento tem para a cidade, poderia achar estranho. Mas eu tenho um comportamento exclusivamente técnico no lugar que ocupo, de forma que as questões políticas que, por vezes, estão à volta destas decisões passam-me um bocado ao lado. Depois deste hiato, felizmente chegámos a bom porto. Sempre defendi que não tinha sentido fazer este projecto contra a vontade da Câmara.

Tem-se falado na integração do Hospital Joaquim Urbano no Centro Hospitalar do Porto. Como está o processo?
Está a avançar, foi constituído um grupo de trabalho para fazer um plano de integração que deverá estar concluído no fim de Fevereiro para ser apresentado à ARSN para aprovação. Penso que tecnicamente faz sentido porque o CHP não tem as áreas de Pneumologia e Infecciologia. É uma integração clinicamente complementar que vai permitir sinergias em áreas de apoio e logística.

Qual é o futuro do Joaquim Urbano?
Acho que agora tem mais futuro do que antes. Passa a contar com a colaboração de um hospital central, o que pode ajudar a prestar melhores serviços aos doentes. No caso dos Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, já éramos um grande fornecedor do Joaquim Urbano. E há várias áreas, como o intensivismo, em que aquele hospital começa a contar com o Santo António.

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Estão, portanto, fora de questão os rumores de que o Joaquim Urbano pode fechar?
Não temos nada essa perspectiva neste momento.
Em Setembro de 2009, o Santo António passou a ser o hospital de referência de Gondomar.

A mudança gerou contestação de utentes e profissionais, sobretudo na Urgência. Passado mais de um ano, como é que vê a mudança?
Os problemas foram sobretudo na Urgência. Na Consulta Externa somos o hospital com os melhores tempos médios de resposta, portanto, aí a população de Gondomar beneficiou. O serviço de Urgência teve algumas questões, mas penso que estão ultrapassadas. Na monitorização que fazemos, os nossos tempos de resposta são idênticos aos de outras unidades, pelo que a população de Gondomar não ficou minimamente prejudicada.

Há quem diga que esta operação visou financiar o Centro Hospitalar do Porto, já que a unidade recebe um determinado valor por cada doente que entra na Urgência.
Isso não é nada verdade. O nosso financiamento é feito através da contratualização das diferentes linhas de produção - doentes saídos do internamento, consulta externa, hospital de dia, serviço de urgência e cirurgia de ambulatório - mas tem um tecto. A partir daí não recebemos mais nada e esse tecto não tem subido, como é óbvio. Comparando com os anos anteriores, o nosso volume de atendimentos na urgência é sensivelmente o mesmo. Por aí não temos recebido mais dinheiro, embora bem precisássemos.

Quando é que o novo Centro Integrado de Cirurgia de Ambulatório (CICA) vai começar a funcionar?
O CICA deve abrir no início de Março, só falta instalar alguns equipamentos e testá-los. Em velocidade de cruzeiro, serão realizadas naquele edifício 22 mil cirurgias por ano, cerca de 70% da cirurgia do hospital.

Há dois anos, o dr. Sollari Allegro, sugeriu à ministra que o Governo expropriasse o edifício do Santo António à Misericórdia. A propriedade custava, à data, 112 mil euros por mês ao hospital.Houve avanços nesta matéria?
Não, continuamos a pagar a renda. A alternativa seria a compra do edifício, o que também não ficaria barato. Desde que se consiga rentabilizar a estrutura, não acho que isso seja um problema financeiro para o CHP.

E qual é o problema do CHP?
É o problema de muitas instituições de saúde. São estruturas altamente dispendiosas, com custos fixos muito pesados, que exigem uma melhoria acentuada do ponto de vista da eficiência. Em 2009, tivemos um resultado negativo para além do que esperávamos. Em 2010 cumprimos o nosso objectivo para redução do défice e, em 2011, queremos concretizar o equilíbrio económico da instituição.

O que aconteceu em 2009?
Houve uma alteração do Conselho de Administração e esses processos acabam por ter impacto na gestão contínua do ano. Na altura, achámos que o principal problema era de produção e fizemos uma aposta muito forte para recuperar a produção que estava em atraso face ao contratualizado. Havia também um problema de custos que, na altura, não era absolutamente evidente e as medidas que tomámos só começaram a sentir-se em 2010.

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