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Autarcas batem o pé e recusam gerir STCP com dívida de milhões

Autarcas batem o pé e recusam gerir STCP com dívida de milhões

Operadora teve perdas de 15 milhões com a diminuição de passageiros durante a pandemia. Presidentes de Câmara exigem que Estado assuma esse passivo.

Os autarcas dos municípios, que deviam passar a gerir a STCP a partir do próximo dia 27, avisam que só assumirão essa responsabilidade se a dívida da empresa devido à pandemia, na ordem dos 15 milhões de euros, for assumida pelo Estado e "o contador estiver a zero". O défice acumulado pela operadora deve-se aos prejuízos associados à perda de passageiros provocada pela pandemia de covid-19.

Porto, Gaia, Gondomar, Valongo e Maia batem o pé e exigem que o Estado cumpra as suas obrigações até ao final do ano. Matosinhos acredita que tudo será resolvido. O primeiro a pronunciar-se foi Rui Moreira, autarca Câmara do Porto, aconselhando as câmaras a recusar a transferência de competências com um passivo tão elevado.

Seguiu-se Eduardo Vítor Rodrigues, autarca de Gaia e presidente do Conselho Metropolitano do Porto: "Partilho da opinião [de Rui Moreira]. Gaia entra no processo quando o contador estiver a zero". O dia 27 de dezembro foi apontado para a passagem de gestão para as autarquias, após o Tribunal de Contas ter informado que, afinal, o processo não carecia do seu visto prévio. Contudo, Eduardo Vítor Rodrigues não confirmou se o processo se concretizará nesse dia. "Espero e acredito que o Governo feche o assunto até 31 de dezembro", referiu.

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Adiar escritura

Também Marco Martins, presidente da Câmara de Gondomar, apesar de considerar que este deve ser um assunto decidido entre os seis autarcas, admite que "o Estado terá que assumir todas as obrigações até 27 de dezembro". Uma opinião partilhada pelo autarca de Valongo, José Manuel Ribeiro. Caso não haja uma garantia do Estado quanto à assunção da dívida, defende que a intermunicipalização deve ser adiada.

Luísa Salgueiro, edil de Matosinhos, afirma que essa garantia foi dada pela tutela desde o início e que "não há motivos para pensar que não vá ser assim". "Contas são contas e nós gostamos de contas certas. Esse foi o compromisso que assinámos: dívida zero. A STCP não vai começar a sua nova vida sem que o Estado cumpra os compromissos que assumiu com os municípios", disse, por sua vez, Silva Tiago, autarca da Maia.

No entanto, e perante o valor elevado da dívida da empresa, o presidente da Câmara do Porto criticou também o facto de os apoios do Estado destinados a compensar a perda de passageiros terem sido distribuídos apenas pelos operadores privados.

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