Porto

Câmara do Porto manda fechar 21 casas na movida

Câmara do Porto manda fechar 21 casas na movida

A Câmara do Porto ordenou o fecho de 21 estabelecimentos ligados à animação noturna nos Clérigos. O vereador António Sousa Lemos afiança que, a par das novas regras, o controlo na rua está a apertar.

Os dias 18, 19 e 20 de janeiro de tempestade fizeram chegar 329 pedidos de ajuda à Proteção Civil. A "eficácia" da atuação dos bombeiros, da Polícia e dos serviços municipais de Via Pública e do Ambiente, entre outros organismos, levou António Sousa Lemos a apresentar um voto de louvor a votação. Mas o PS achou excessiva a homenagem para quem estava a cumprir o seu dever, lembrando que o louvor está reservado a quem ultrapassa significativamente as suas funções. Sugeriu-se que, em vez de louvor, fosse feito o agradecimento. Expressão também descartada. Por consenso, acabou por votar-se o reconhecimento público pelo trabalho feito.

No dia em que a Autarquia aprovou novas medidas para pôr cobro à desordem nas ruas da Baixa e ao ruído, o autarca garante que têm-se realizado 220 ações de fiscalização mensais naquela área e já assinou "21 despachos de cessação de estabelecimentos". No entanto, não concretizou se o encerramento é temporário ou definitivo nem a tipologia dos espaços visados.

Mas a atuação municipal não cala as críticas dos moradores, que continuam a queixar-se de falta de sossego, embora admitam que há mais empresários a cumprir os horários de funcionamento. As denúncias voltaram ontem à reunião pública.

A portuense Paula Amorim, um dos rostos da contestação dos residentes, alertou para o estacionamento selvagem em cima do passeio na Praça de Guilherme Gomes Fernandes e para o comportamento de alguns cafés e mercearias. Até fecham a porta e correm as grades, mas, denuncia a moradora, continuam a vender garrafas de cerveja, de vinho do Porto e de uísque para a rua por entre o gradeamento.

Uma das novas regras, aprovadas ontem pelo Executivo, foi a proibição da venda de bebidas em vasilhame de vidro para consumo na via pública. A medida visa travar o negócio das "litrosas" (garrafas de cerveja de 1 litro), que tem florescido entre os estabelecimentos que nada têm a ver com a animação noturna, como padarias, mercearias, cafés e lojas de conveniência. António Fonseca, presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto, duvida da eficácia desta medida e lembra que, por autorregulação, os bares e as discotecas não permitem a saída de bebidas em vasilhame de vidro para rua.

"É bom começar por algum lado, mas receio que não venha a ter efeito prático e que as pessoas passem a trazer as garrafas para ali", sublinha António Fonseca, convencido de que a solução passa por uma lei nacional que proíba o consumo de álcool na rua em vasilhame de vidro.