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Canal de TV da Câmara do Porto nos bairros municipais

Canal de TV da Câmara do Porto nos bairros municipais

Foram-se as antenas e chegou a televisão da Câmara do Porto. Os moradores de 14 bairros municipais recebem gratuitamente o canal, produzido pela Autarquia, nas suas casas. A Oposição acusa o Município de fazer propaganda com dinheiros públicos. veja o vídeo.

Há um ano que Maria Augusta vê Rui Rio no seu televisor. Com o bairro das Campinas renovado, pôde dar descanso à antena interior que encimava o aparelho. Passou a receber os quatro canais nacionais de graça. O quinto, a TV Porto, chegou mais tarde.

"Perguntaram aos inquilinos se queríamos ter mais um canal sem pagar nada. Sendo de graça, está tudo bem", recorda a moradora. Só quem não paga para ver televisão ou concordou em ter o quinto canal é que vê a TV Porto no seu televisor. Quem é cliente da Meo ou da Zon, não o recebe.

"Eles puseram, mas é raro ver", indica Armando Amaro, inquilino no bairro de Fernão de Magalhães, enquanto a esposa, da janela, atira a justificação: "Só mostra o presidente e os bairros. Eu já vi o Rui Rio ao vivo aqui à nossa porta. Agora, prefiro ver as novelas". Entre os moradores ouvidos pelo JN, a TV Porto não é muito popular por causa das repetições e da emissão de notícias atrasadas.

Acordo com a Porto Digital

Hoje, o sinal chega aos moradores das Campinas, Carriçal, Carvalhido, Fernão de Magalhães, Francos, Lordelo, Outeiro, Parceria Antunes, Pinheiro Torres, Pio XII e Regado e dos blocos recuperados em Aldoar, Fonte da Moura e S. Roque da Lameiro através de fibra óptica. A partir de Janeiro, estará também no Lagarteiro.

A Câmara do Porto explica que teve de encontrar uma alternativa após a remoção das antenas nos bairros requalificados. Celebrou, então, um acordo com a Associação Porto Digital para fornecer o sinal dos quatro canais generalistas, que continha a obrigação da Autarquia ou da Universidade do Porto disponibilizarem, pelo menos, um canal em formato IPTV à associação.

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"Concluiu-se que dada a população alvo [dos bairros] era preferível que o canal a disponibilizar fosse a TV Porto e não o canal da Universidade do Porto", lê-se na resposta enviada por escrito ao JN pelo Município, que não tem custos com o serviço, embora contribua para o orçamento da Associação Porto Digital. Essa associação, indica, gastou 3383,48 euros na aquisição de hardware e software para capturar o sinal da TV Porto, "convertê-lo aumentando-lhe a resolução e colocá-lo no universo dos 14 bairros sociais".

Transmissão criticada

A novidade é mal recebida pela Oposição, para quem a TV Porto é um "canal de propaganda mascarado de informação", sem estatuto editorial definido e que não respeita o pluralismo. "Rui Rio tem privatizado serviços municipais por entender que não são competências da Câmara. E uma Câmara deve ter um canal de televisão e impingi-lo aos moradores dos bairros? Eu acho que não. Concordo que se coloque a fibra óptica, mas não deve ser usada para transmitir propaganda feita com dinheiros públicos", critica o vereador da CDU, Rui Sá.

Para o socialista Manuel Correia Fernandes, "trata-se de uma intromissão indevida num espaço complicado, onde vivem pessoas carenciadas e com dificuldade em obter informação livre. Fornecer os canais generalistas em sinal aberto é um serviço. Introduzir o canal da Câmara, cujos conteúdos não são pluralistas, como se fosse o mesmo é embuste"

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