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Centro Histórico defende solução que preserve antiga estação da Boavista no Porto

Centro Histórico defende solução que preserve antiga estação da Boavista no Porto

A Assembleia de Freguesia do Centro Histórico do Porto aprovou uma moção apresentada pelos eleitos do PSD que defende uma solução que preserve "o mais possível" a estação da Boavista, onde o Corte Inglés quer construir.

A recomendação foi apresentada na Assembleia de Freguesia de terça-feira pelo PSD, tendo sido aprovada com abstenção de um elemento do Movimento Rui Moreira.

No texto hoje divulgado, os sociais-democratas salientam a importância história do edifício inaugurado em outubro de 1875, no quadro da ligação ferroviária do Porto à Póvoa de Varzim, que constituiu, ao longo de várias décadas, uma das principais portas de entrada da cidade.

"Infelizmente, a reconversão da linha do Porto à Póvoa para serviço de metro determinou o encerramento daquela estação, encontrando-se desde então ao abandono, sem que tenha sido desenvolvido qualquer esforço de preservação por parte das entidades competentes, contribuindo para a degradação urbana de um dos principais eixos viários da Cidade na proximidade de um dos jardins históricos mais relevantes da Cidade e paredes meias com um fundamental equipamento cultural do nosso país", lê-se na proposta.

Para os eleitos, o incêndio que deflagrou na madrugada de 11 de dezembro, e que provocou danos importantes no interior do edifício da antiga estação ferroviária "constituiu o culminar da degradação a que tal edificado e o espaço envolvente vinham sendo votados ao longo dos últimos anos".

Esse abandono é ainda mais grave dada a responsabilidade que pode ser assacada a entidades públicas, nomeadamente à IP - Infraestruturas de Portugal que, no tratamento deste imóvel, "assumiu uma postura no mínimo negligente, para o que contribuiu o total desinteresse do executivo municipal".

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Nesse sentido, a proposta apresentada pelo PSD defende que se delibere manifestar ao executivo camarário a preferência da junta do Centro Histórico por uma solução que permita preservar o que ainda for possível da estação ferroviária do Porto-Boavista.

A Câmara do Porto indeferiu o pedido de classificação da antiga estação ferroviária da Boavista, onde Corte Inglés tem intenção de construir, por considerar que não estão cumpridos os critérios legais para a abertura do procedimento.

O ofício de 21 de dezembro, e conhecido na terça-feira, não especifica, contudo, concretamente as razões que fundamentaram a decisão de não-abertura do processo de classificação do imóvel e terrenos adjacentes.

Hoje, em declarações à Lusa, num comentário a esta decisão, o presidente da Concelhia do PSD do Porto, Miguel Seabra, disse não sentir repugnância pela decisão do município de não classificar a antiga estação, dado o estado em que se encontra o imóvel.

Salientando que o partido nada tem nada a opor ao projeto do Corte Inglés, o social-democrata considera que a construção daquele equipamento naquele local seria uma mais-valia em detrimento do jardim defendido por um grupo de cidadãos, dado que com o plano lançado pela autarquia, o Porto vai ficar com quase o dobro da área verde por habitante.

Na terça-feira, o Movimento por um Jardim na Boavista contestou a decisão de não classificar a antiga estação ferroviária da Boavista tendo apresentado uma reclamação para que a câmara reverta a mesma.

Para aqueles terrenos está prevista a construção de um grande armazém comercial, de um hotel e de um edifício de habitação, comércio e serviços.

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