Protesto

Cerca de 100 taxistas em marcha lenta pelo Porto

Cerca de 100 taxistas em marcha lenta pelo Porto

Cerca de 100 taxistas saíram esta sexta-feira, ao final da tarde, da Rotunda do Castelo do Queijo em marcha lenta até à Praça do Município, no Porto, pelo cumprimento da Lei 35/2016 contra o transporte ilegal de passageiros.

Em fila, e supervisionados pela PSP, os táxis exibiam bandeiras brancas onde se lia "Somos Táxi" e "Proibido a Ilegais", enquanto se ouvia num megafone "A luta continua, ilegais para a rua".

Em declarações à agência Lusa, um industrial do táxi, José Luís, que tem a cargo duas viaturas e três funcionários, disse estar "revoltado", razão pela qual decidiu aderir ao protesto e chamar à atenção do Governo de António Costa para fazer cumprir a lei.

As plataformas eletrónicas de transporte de passageiros em veículos descaracterizados, como a Uber ou a Cabify, são uma "concorrência desleal", referiu, sublinhando que ao contrário dos táxis não precisam de licenças específicas, nem de carteira profissional.

"Só em seguro de carro pago 2.000 euros, em seguro de trabalho e de passageiros mais de 5.000 euros por ano para os dois carros, a carteira profissional são 600 euros, enfim, a nós só exigências, aos outros zero", afirmou.

José Luís admitiu ter de despedir pessoas porque o setor do táxi está cada vez mais "fraco".

Na origem do protesto está a Lei 35/2016 - lei contra o transporte ilegal de passageiros -- que entrou em vigor em novembro e que regulamenta o acesso à atividade e ao mercado dos transportes em táxi e reforça as "medidas dissuasoras de atividade ilegal" no setor, porque aumentou as coimas pelo exercício ilegal de transporte de táxi.

Pelo exercício da atividade sem o alvará, as coimas passaram a ser entre 2.000 e 4.500 euros (pessoa singular) e entre 5.000 e 15.000 (pessoa coletiva).

"A verdade é que a lei existe, mas ninguém faz nada, é uma vergonha. É ver os motoristas da Uber estacionados pela Avenida dos Aliados, Clérigos e Cordoaria em locais que não lhe são destinados", revelou Carlos Alves, um dos taxistas.

Também descontente com a atual situação do setor, Luís Ribeiro, um dos manifestantes, frisou querer ação do Governo PS e não passividade.

"O Porto está saturado de carros das plataformas eletrónicas, carros esses que não estão sujeitos a tabelas de preços, aferições ou licenças", asseverou.

A única mulher da marcha lenta, Idalina Sousa, motorista de táxi há quatro anos, pede apenas os mesmos direitos e deveres para aqueles que trabalham no setor.

"Não é justo a uns exigiram tanto e a outros nada, não pode ser, a Uber está a tirar-nos trabalho de forma desleal", entendeu.

Sérgio Dias, funcionário de um industrial do táxi, considerou que as plataformas eletrónicas têm de legalizadas o "mais rapidamente possível" porque, atualmente, táxis e plataformas não estão em "pé de igualdade".