Porto

Cervejaria Galiza em regime "take away" para pagar salários

Cervejaria Galiza em regime "take away" para pagar salários

Em tempos de pandemia, as dificuldades adensam-se para os funcionários da Cervejaria Galiza, na Rua do Campo Alegre, no Porto. Parar não está no leque de opções dos trabalhadores, mesmo com os perigos da Covid-19 à espreita.

"Tomamos a decisão de fazer 'take away' porque senão não teríamos dinheiro para pagar a totalidade dos salários", confessou ao JN António Ferreira, um dos elementos da Comissão de Trabalhadores da Galiza que tem coordenado o espaço e a equipa de funcionários.

A Cervejaria está também a fazer entregas ao domicílio para fazer chegar o serviço às pessoas mais idosas que não devem sair de casa.

Desde o dia 11 de novembro, que os 31 funcionários estão a gerir a Galiza, mantendo o restaurante aberto ao público, após uma tentativa frustrada da empresa para fechar o estabelecimento à revelia dos funcionários.

Sem garantias para o futuro e com 30 salários para pagar no fim do mês, além de todas as outras despesas, António Ferreira não desiste.

"Fizemos uma reunião e inicialmente todos queriam fechar por estarem com medo, mas perceberam que sem isto não temos rendimentos", explica ao JN.

A funcionar apenas com equipas de cinco ou seis pessoas, estão a conseguir faturar um terço do normal. Mesmo assim, não é o suficiente para animar a equipa de trabalho e para pagar as restantes faturas.

Para fazer encomendas, basta ligar para o contacto telefónico do estabelecimento: 22 608 4442.

Donas em silêncio

O plano de insolvência da Cervejaria Galiza continua em cima da mesa e tem de ser ativado até fim do mês, explica António Ferreira. Contudo, as donas continuam sem comunicar com os funcionários e por isso, não há garantias de nada.

"Está a ser difícil arranjar consensos. Este é um período muito emocional e com a incerteza, alguns já só querem a carta para o desemprego e descartam os direitos", lamenta o gerente da Galiza.

Amanhã, pelas 16 horas, os funcionários vão reunir com o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte para perceber que medidas podem tomar para pressionar as donas a agir.

Os funcionários ponderaram entrar em "layoff" - redução temporária dos períodos normais de trabalho ou suspensão dos contratos de trabalho efetuada por iniciativa das empresas - contudo não foi possível devido às dividas na Segurança Social, adianta António Ferreira.

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