Porto

Comerciantes do Bolhão já estão a receber as chaves

Comerciantes do Bolhão já estão a receber as chaves

As obras de requalificação do Mercado do Bolhão entraram na reta final. A empreitada ficará concluída, de acordo com a Câmara do Porto, no final do ano mas o espaço só abrirá ao público no fim do primeiro trimestre de 2022. Dos 26 comerciantes que operam nas lojas exteriores, 21 já receberam as chaves. Os das bancas interiores terão de esperar mais uns meses para fazer a mudança.

António Sousa era um homem feliz quando, ontem à tarde, recebeu das mãos da responsável pela obra as chaves do estabelecimento onde trabalha há 73 anos. Com 92 anos e quase a celebrar mais um aniversário, António inspecionava tudo na renovada Casa Hortícola, na esquina da Rua Formosa com a Rua de Sá da Bandeira. No interior, uma técnica procedia ao restauro de uma porta. "Vai ter de ficar de verde-musgo que é a cor original. Os móveis são todos assim, verde-escuro e branco", explica. As paredes ostentam agora pinturas retocadas na parte superior e os azulejos pintados à mão, mas lavados, na zona inferior. O candeeiro centenário ainda está guardado em casa.

"Foi uma obra muito demorada e cheguei a duvidar se iria ver a inauguração, mas o resultado final está muito bom. Espero que atraia gente ao Bolhão, como acontecia antigamente. Isto era um mar de gente, uma autêntica romaria", recorda. No exterior, a imponente fachada agora pintada com os tons do saibro granítico, a cor original de 1914, esconde a azáfama do interior, onde as bancas estão a ser montadas no terraço central. Para trás ficaram muitos meses de trabalho, tendo sido a fase de obra mais complicada a escavação da cave e a retirada de 30 mil metros cúbicos de terras. "Foi uma obra complexa, quase um trabalho de relojoaria, pois tivemos de respeitar a identidade e os elementos originais do edifício que agora ficará dotado de todas as infraestruturas necessárias ao funcionamento do mercado, como zonas de cargas e descargas", explica Cátia Meirinhos, a administradora da empresa municipal GO Porto e responsável pelo restauro.

nova passagem aérea

O arranjo das coberturas há muito está concluído com a renovação das estruturas em madeira coberta com os característicos soletos em ardósia que são uma das imagens de marca do edifício. Reparam-se os estuques dos tetos e as esculturas em pedra das fachadas. No interior foi criada mais uma passagem aérea. Uma nova, mas como a anterior, a unir o último piso do mercado, a que se junta agora uma outra a ligar a entrada de Sá da Bandeira com a de Alexandre Braga. O chafariz que estava no centro do mercado é transferido para junto da entrada principal na Rua Formosa. Os azulejos publicitários regressam às escadarias.

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"A última vez que estive aqui dentro da loja foi há três anos e meio. É bom regressar, porque embora estivéssemos a funcionar do outro lado da rua, não tem sido a mesma coisa, esta loja tem uma montra maior e maior visibilidade", diz Jacinto Mendonça que, com a irmã Maria José, recebeu também as chaves. A Relojoaria Mendonça poucas alterações teve porque antes de fechar sofreu obras. Toda blindada a aço, pouco mudou com a empreitada que decorria por cima e nas lojas laterais. "Este é um trabalho fantástico e temos de agradecer a Rui Moreira por ter sido o único que conseguiu avançar com a obra há muito prometida", acrescenta Jacinto.

Nas lojas exteriores viradas para a Rua de Fernandes Tomás os trabalhos estão mais atrasados e as chaves ainda não foram entregues. Os comerciantes acreditam que "os prazos dificilmente serão cumpridos". Aos 64 que vão continuar a operar no interior e aos 26 do exterior vão juntar-se mais 12 na parte externa e mais 35 dentro do mercado, estando ainda a decorrer o concurso para a atribuição das novas bancas e espaços.

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