Parceria

Comunidade Judaica do Porto e Sociedade Histórica promovem encontro

Comunidade Judaica do Porto e Sociedade Histórica promovem encontro

A Comunidade Judaica do Porto e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal anunciaram a celebração um protocolo de parceria, amizade e cooperação, ficando estabelecido que se realizará um encontro anual, rotativamente, no Porto e em Lisboa.

O protocolo foi assinado no âmbito do Dia Nacional para a Memória das Vítimas da Inquisição, que se assinalou na quarta-feira.

O documento estabelece que se realizará um Encontro Anual, rotativamente, no Palácio da Independência em Lisboa e no Museu Judaico do Porto, e evoca "a participação das comunidades judaicas na formação e no desenvolvimento da Nação" e "o simbolismo da proximidade e amizade que se estabeleceu entre D. Afonso Henriques e D. Yahia Ben Yaish que viria a ser o primeiro Rabi-Mor de Portugal, exerceu altas funções de administração do Reino e participou em combates ao lado e ao serviço do seu Rei".

A vice-presidente da Direção da Sociedade Histórica, a historiadora Ana Leal de Faria, que assina o protocolo juntamente com o presidente, o advogado e ex-dirigente político José Ribeiro e Castro, explica: "O primeiro encontro entre delegações está previsto realizar-se no Museu Judaico do Porto, no próximo mês de maio, num dia que pensamos ser de reencontro dos valores da portugalidade."

Por sua vez, a vice-presidente da Direção da Comunidade Judaica do Porto, Isabel Lopes, que assinou o protocolo juntamente com o Chefe-Rabino da cidade, Daniel Litvak, diz: "Quando o rabi D. Yahia Ben Yaish combateu ao lado de D. Afonso Henriques - ao serviço do qual terá morrido - por todo o território já se estendiam, desde longa data, comunidades judaicas".

Antes do Édito de Expulsão de D. Manuel no ano de 1496, a comunidade judaica do Porto era muito relevante no país, ao ponto de terem vivido na cidade o Rabi Isaac Aboab, a maior autoridade do mundo judaico da época, e o famoso astrónomo e historiador Abraham Zacuto.

Depois de séculos de afastamento dos judeus, o Porto voltou a ter uma comunidade judaica no final do século XIX, quando algumas dezenas de judeus alemães, russos e polacos se instalaram na cidade, vindo a comunidade a ter forma legal, já em 1923, por ação do único português da comunidade, o militar de infantaria, capitão Barros Basto, avô de Isabel Lopes.

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Antes da assinatura do protocolo, Isabel Lopes ofereceu à Sociedade Histórica um livro escrito por ele, em 1944, intitulado "Dom Yahia Ben-Yahia - O 1.º Rabi-Mor de Portugal", que enaltece a amizade e a cooperação entre aquele Rabi e Dom Afonso Henriques.

Hoje, a comunidade judaica do Porto reúne cerca de 500 pessoas de trinta origens diferentes e o seu departamento cultural tutela o Museu do Holocausto e o Museu Judaico da cidade.

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