Porto

"Continua a haver a mesma pobreza mas é envergonhada"

"Continua a haver a mesma pobreza mas é envergonhada"

"Crianças da minha Sé" é a exposição de fotografia de Bruno Neves, que está no átrio da Estação de São Bento, no Porto.

É o Porto a preto e branco de há 50 anos, antes e depois do 25 de abril, que surge espelhado nas fotografias de Bruno Neves, 85 anos, antigo editor de fotografia de O Jogo, que está patente até ao final do mês no átrio da Estação de S. Bento.

Em mais de quatro dezenas de imagens, é o Porto feito de muita pobreza, com crianças a brincarem nas ruas apenas em cuecas, a descerem a Rua de Fernandes Tomás a correr, junto à Capela das Almas, ou a andarem de carrinhos de rolamentos, que surge nesta mostra.

"No fundo, continua a haver a mesma pobreza - seja na Sé, na Ribeira, nos Guindais ou no Bonfim -, mas é envergonhada", referiu Bruno Neves ao JN, emocionando-se com as lembranças de "toda a vida ter sido o repórter-fotográfico revolucionário que lutava pelos mais desprotegidos, denunciando a sua situação".

Organizada pelo Museu da Imprensa, com o apoio da Associação 25 de Abril e da Comissão das Comemorações 50 anos do 25 de Abril, Bruno - cujo "passatempo era andar sempre de máquina" - conta, sem falsa modéstia, que é o autor de um trabalho fotográfico "único" sobre o 25 de abril, até porque, como ironizou: "A revolução também aconteceu no Porto".

Dada a extensão de fotografias, a mostra tem um núcleo no Instituto Multimédia-Escola Profissional, na Rua das Taipas, também no Porto, e uma extensão na Universidade da Maia.

"Cisma pelo jornalismo"

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O "bichinho" pela fotografia foi-lhe passado pelo pai, Ernesto Neves, com quem teve a casa de fotografia E.F. Neves e Bruno Lda, no número 482 da Rua de Santo Ildefonso. "Uma casa que se tornou uma referência por fazer casamentos em toda a região Norte", recordou.

Mas Bruno conta que sempre teve "cisma pelo jornalismo", também por "culpa" do pai, que "foi pioneiro no trabalho de fotografar as gentes do Porto e isso acabou por passar para mim".

Nascido no bairro da Tapada, nas Fontainhas, o repórter-fotográfico ainda se recorda de, a altura da guerra, "ir com senhas à Rampa dos Padeiros levantar alimentos". Já das melhores exposições que fez , "de verdadeiro gabarito", diz que foi partilhada com os colegas Ricardo Pereira e António Sousa.

Mas a primeira exposição de fotografia de Bruno Neves, aconteceu a 1 de junho de 1967, na estação de Campanhã, a propósito do Dia da Criança, e a convite do engenheiro e ferroviário, Armando Ginestal Machado. 55 anos depois, Bruno fez coincidir o dia de abertura desta mais recente mostra.

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