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Corrida de rabelos avivou memórias antigas do Douro

Corrida de rabelos avivou memórias antigas do Douro

A Barros Porto, do grupo Sogevinus, ganhou, ontem, a XXV Regata dos Barcos Rabelos, organizada pela Confraria do Vinho do Porto. Nos lugares seguintes ficaram os barcos Offley e Cockbun´s. O rio foi, de novo, porto de partida e de chegada.

A velocidade do vento de 14 nós, com ondulação de 1,5 metros e nebulosidade excelente para uma passeata pelo rio, não deixava antever grandes dificuldades às 16 tripulações desta regata ligada à história do vinho do Porto. Porém, mal foi dado o tiro de partida, junto ao Cabedelo, na nesga de areia que separa o rio do mar, três barcos rabelos estiveram pouco tempo com as velas enfunadas e, em vez da rota prevista, rumaram para junto do cais da Afurada. "Este tipo de percalços acontecem. O conhecimento do sítio das correntes é fundamental para o êxito da corrida", assegurou Manuel Magalhães Ferreira, fiel das usanças da Confraria e "velejador desde os 10 anos".

Há muita gente no cais de traineiras pintadas de cores garridas e, mais ainda ao longo das duas margens, desde o Cabedelo até à ponte Luís I, onde milhares de pessoas seguem a passagem dos concorrentes. Ouvem-se incentivos, palmas. Na embarcação Douro Azul duas centenas de convidados deixavam ao vento outras palavras. "Esta regata faz parte da minha vida. De certa maneira, contribuímos para salvar o barco rabelo e fazê-lo reviver a sua história. Não podemos esquecer que as pipas eram transportadas desde a Régua até aos armazéns de Gaia em embarcações deste tipo", recordou Robin Reid, 83 anos.

O chanceler da Confraria, Francisco Olazabal, está por perto e entre um gole de Porto tónico, bebe-lhe as palavras: "O primeiro barco rabelo estava a apodrecer, há alguns anos, em Rio Mau, Gondomar e fomos lá buscá-lo. Agora existem dezasseis. Esta regata reaviva memórias".

Entre os convidados estiveram Elisa Ferreira, Manuel Serrão, Carlos Brito, Afonso Camões, Ricardo Magalhães. De vinhos produzidos na região demarcada mais antiga do mundo falou-se muito. De política nem tanto. No rescaldo do S. João todos os brindes da noite mágica tiveram o sabor a PortoWine.

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