Porto

Dezenas protestaram em frente à Câmara em solidariedade com mulher despejada na Ribeira

Dezenas protestaram em frente à Câmara em solidariedade com mulher despejada na Ribeira

Dezenas de pessoas protestaram, esta segunda-feira à noite, no exterior da Câmara do Porto, contra a decisão do Município de retirar a habitação social a Joana Pacheco na Ribeira.

À noite, na Câmara do Porto decorreu a Assembleia Municipal e, no final, já madrugada de terça-feira, uma onda de solidariedade esperava Joana Pacheco. "Queremos as chaves da casa da Joana. A luta continua", gritavam os manifestantes, com chaves na mão e a confortar a chorosa Joana, que desespera por uma solução para si e para os dois filhos menores.

Antes, nos Paços do Concelho, durante a Assembleia, no momento dos munícipes usarem da palavra, coube a Carla Costa, sobrinha de Joana Pacheco apelar às forças partidárias que intercedam: "A Joana nunca viveu à margem da lei. Por favor não tirem o berço e as raízes às crianças. Os filhos da Joana são o futuro e a cultura da Ribeira. Os meus sobrinhos não têm casa. Peço que reavaliem o caso. A miúda pergunta se vai perder os amigos, a escola e a piscina, que é o rio Douro, e não sabemos o que responder".

Também no decurso da Assembleia, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, havia dito que, neste caso, "foi cumprida a lei" e que "os regulamentos não podem ser alterados". "Se consideram que a Câmara do Porto violou a lei, vão para tribunal e se perdermos se calhar ficamos todos contentes", referiu, dirigindo-se a Susana Constante Pereira, do Bloco de Esquerda.

Se a preceder a Assembleia Municipal, cerca das 21 horas de segunda-feira, o avanço dos manifestantes no exterior teve que ser travado pelo cordão policial, após a Assembleia, às 00.50 horas de terça-feira, havia ainda mais polícia, nomeadamente do Corpo de Intervenção. Voltou a ser repetida a palavra "vergonha" e o presidente da União de Freguesias do Centro Histórico, António Fonseca, teve que ser protegido pela polícia e recolher de novo à Câmara, pois a ira de quem protestava voltou-se contra ele.

"Mais habitação, menos especulação". "A Ribeira é nossa". "O povo unido jamais será vencido". "Não deitamos a toalha ao chão". Foram algumas das frases entoadas pelas pessoas que aguardaram no exterior, ainda a exibir cartazes, com tambores e megafones. Joana Pacheco foi engolida pela pequena multidão, num abraço coletivo.

O som da manifestação foi quase sempre audível no interior do edifício dos Paços do Concelho, durante as quase quatro horas de duração da Assembleia.

Joana Pacheco, com dois filhos menores, ficou sem casa na semana passada e permaneceu temporariamente instalada num hotel à custa da União de Freguesias do Centro Histórico, ajuda que terminou esta segunda-feira.

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