Reitor da UP

Ensino Superior "vive em situação de subfinanciamento e de perda de autonomia"

Ensino Superior "vive em situação de subfinanciamento e de perda de autonomia"

António de Sousa Pereira tomou posse para um novo quadriénio à frente da instituição portuense e vai apostar nos fundos comunitários e nos programas operacionais regionais para recuperar da falta de investimento nas universidades e politécnicos

O reitor da Universidade do Porto (UP) pediu, na manhã desta quarta-feira, no ato de tomada de posse para um novo quadriénio à frente daquela instituição, "a atualização dos níveis de financiamento" para o ensino superior e "um aumento da dotação de pelos menos mais 10%, acima da taxa de inflação durante esta legislatura". De acordo com António de Sousa Pereira, "as universidades e politécnicos portugueses vivem há muito numa situação de subfinanciamento e perda de autonomia, a que se soma o espartilho burocrático imposto pelo regime jurídico que regula o ensino superior".

Perante um vasto leque de convidados em que se destacavam catedráticos e investigadores da universidade, membros das diversas Ordens, autarcas e da ministra da Coesão territorial, Ana Abrunhosa, o reitor da UP relembrou que "o financiamento previsto nos contratos-programa nunca foi cumprido e as dotações orçamentais cobrem, hoje, cerca de 80% das despesas com pessoal". Para António de Sousa Pereira, o regime fundacional veio reforçar a autonomia financeira das instituições mas, diz, "revelou-se um presente envenenado". As dotações orçamentais têm vindo a ser continuamente cortadas nos últimos 20 anos ao mesmo tempo em que acrescem encargos com a Caixa geral de Aposentações e sistemas de Segurança Social.

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"Portugal figura, aliás, entre os países europeus com percentagens mais baixas de financiamento para o ensino superior em relação à riqueza criada pelo país", salientou António de Sousa Pereira na sua tomada de posse, numa altura em que a governante Ana Abrunhosa, por motivos de agenda, tinha abandonado o salão nobre, acrescentando que "alterar siglas e trocar designações serve apenas para dar uma ilusão de mudança, mantendo tudo na mesma".

Neste novo mandato à frente da UP caberá ao novo reitor aproveitar os novos fundos comunitários e nomeadamente o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) "para recuperar do desinvestimento na manutenção e reequipamento das instalações públicas". O PRR será mesmo fundamental "para otimizar e modernizar a oferta formativa, de forma a responder ao desafio da trandisciplinaridade do conhecimento e a satisfazer as novas necessidades do mercado de trabalho".

O grande desafio de António de Sousa Pereira para este novo mandato será o "consolidar o seu estatuto de universidade europeia de investigação". Para tal é preciso a melhoria das condições laborais dos professores, "corpo docente que está envelhecido e desmotivado pelas dificuldades de progressão na carreira, de valorização salarial e de sobrecarga burocrática", passando-se o mesmo com o pessoal não docente.

O reitor quer prosseguir o trabalho iniciado em 2018 mas que ficou por concluir "por contingências impostas pela crise sanitária". Nesse sentido, a UP tem previsto, para o médio prazo, um plano de investimentos na ordem dos cem milhões de euros em infraestruturas, quer no campus, quer na Área Metropolitana do Porto. É o caso das quatro novas residências universitárias, duas delas em parceria com a Câmara do Porto, da criação na Maia de um Centro de Investigação para a Saúde Humana e Animal, da expansão do campus da Faculdade de Belas Artes, da requalificação de diversas faculdades e da ampliação das instalações com mais três edifícios da Faculdade de Engenharia e a criação de um novo campus dedicado à ciência e tecnologia a nascer nos terrenos da refinaria da Galp, em Matosinhos (a autarca Luísa Salgueiro esteve presente na tomada de posse), focado na transição digital e nas energias verdes.

Este novo mandato de António de Sousa Pereira coincide com a publicação dos últimos resultados do QS World University Ranking que coloca a UP entre as 250 e as 300 melhores instituições de ensino superior do mundo.

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