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Família de médico Albino Aroso indignada com tráfico de droga à volta da estátua

Família de médico Albino Aroso indignada com tráfico de droga à volta da estátua

Foi através das redes sociais que a polémica estalou e chegou ao conhecimento da família de Albino Aroso, médico que se destacou na saúde materna e neonatal e considerado o pai do planeamento familiar.

Falecido em 2013, Albino Aroso está imortalizado numa estátua colocada junto ao Bairro da Pasteleira Nova, no Porto, que está a ser alvo de vandalismo pelos traficantes de droga.

Há lixo espalhado por toda a base da estátua, que é utilizada para informar traficantes e consumidores se no bairro há droga para vender. "Uma liga colocada numa das pernas é, por exemplo, sinal dos traficantes de que há "produto"", afirmou ao JN José Vaz, que conheceu pessoalmente Albino Aroso e que se diz "chocado" com o cenário, à vista de toda a gente, na Rua 25 de Julho.

A família do médico portuense diz estar "triste" e que não foi com esse objetivo que aceitou a homenagem feita há quase dois anos. "Apesar de considerarmos que o local ideal para a colocação da estátua seria o Centro Materno Infantil do Norte, aceitámos aquele local por terem dado o nome do meu avô à rua e por ser um local simbólico, uma vez que ele sempre lutou pelos mais desfavorecidos e pelos direitos da mulher", afirmou ao JN Miguel Viamonte Aroso, neto do professor jubilado de Ginecologia do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

A indignação é também dos habitantes do bairro, que nada têm a ver com o tráfico de droga que ali existe a qualquer hora do dia e que é responsável pelo clima de insegurança, ao ponto de haver famílias sitiadas em casa e outras impedidas de entrar na habitação por terem feito queixa às autoridades.

"Um ato pontual"

Na semana passada, um dos moradores pendurou um pedaço de cartão na estátua, um trabalho em bronze do escultor Rogério Azevedo, com a inscrição: "Tirem-me d"aqui!".

"Sabemos que estes atos de vandalismo não são dirigidos ao meu avô, mas resultam da situação de momento. Só esperamos é que as autoridades conjuguem esforços e que tudo seja resolvido", acrescenta o neto de Albino Aroso. A família já questionou o presidente da Câmara do Porto, que os informou que o caso "terá sido um ato isolado".

Recorde-se que já em 2016 a autarquia tinha prestado tributo a Albino Aroso ao atribuir o seu nome à rua aberta entre o Bairro da Pasteleira e o novo conjunto camarário, no sentido de criar maior visibilidade a esta zona já então problemática.

O JN questionou a Câmara do Porto sobre a vandalização da estátua, mas não obteve resposta em tempo útil. Em entrevista ao "Jornal de Notícias", Rui Moreira, presidente da Câmara, mostrou-se preocupado com o tráfico de droga nos bairros da Pasteleira e de Pinheiro Torres.

Sublinhando que o Município não pode substituir a PSP e o Ministério Público, o autarca explicou que comprou câmaras de videovigilância que em breve serão colocadas nestes bairros camarários.

Após várias denúncias de insegurança e pedidos de atuação por parte da Câmara do Porto, a PSP realizou uma megaoperação antidroga em quatro bairros sociais de Lordelo do Ouro, que resultou na detenção de nove pessoas, e na apreensão de uma "quantidade substancial" de estupefacientes, armas e de dez mil euros em dinheiro. Os detidos estão já em liberdade e de volta aos bairros.