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Financiamento, gestão e motivação das equipas sociais em discussão

Financiamento, gestão e motivação das equipas sociais em discussão

No dia de abertura do Fórum para a Inclusão Social, que decorre até quarta-feira na Alfândega do Porto, discutiu-se, no primeiro painel de debate, o financiamento das organizações, o papel que as empresas podem ter nessa matéria, a gestão e também a importância de motivar as equipas sociais. O objetivo é tentar inovar as respostas ao mesmo tempo que se promove a sustentabilidade.

A primeira questão esbarra no financiamento das respostas sociais. Até porque o dinheiro público não é suficiente. E é aí, precisamente, que as empresas ou fundações privadas podem intervir. "Importa lembrar que todo o setor da economia social tem um problema de base inultrapassável, que é o seu posicionamento numa típica economia capitalista. O mercado vive de quem tem dinheiro para pagar os serviços", criticou Rui Pedroto, presidente da Comissão Executiva da Fundação Manuel António da Mota, recordando que os "beneficiários dos bens e serviços não tem capacidade económica de pagar o custo efetivo desses bens".

Para Rui Pedroto, o papel de fundações como a que o próprio dirige é "estar onde os outros não estão": "40% do dinheiro das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) vem de acordos, 30% dos beneficiários e os outros 30%? É preciso inventar, mês a mês, onde é que vem essas fontes alternativas de financiamento".

Nesta matéria, Rui Pedroto destacou o problema da habitação, afirmando que a verba referente ao 1.º Direito - Programa de Apoio ao Acesso à Habitação, "ainda não chegou às câmaras".

"Há centenas de milhares de portugueses que ainda estão privados desse direito. Quem é que pode dar resposta?", questionou, alertando para o aumento dos preços e para o facto de que "não há empreiteiros em determinadas zonas para executar as obras".

Há ainda o papel da "mudança de mentalidade": "Há problemas que não se resolvem com dinheiro. É preciso mudar a mentalidade". Ou seja, em primeiro lugar, é preciso fazer um "levantamento exaustivo dos problemas e perceber onde é fundamental intervir".

O presidente da Comissão de Executiva da Fundação Manuel António da Mota deixou também várias e duras críticas à gestão das organizações. Uma delas foi o facto de "ninguém colaborar com ninguém, ninguém partilhar recursos, competências".

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Envolver as empresas

Paulo Alves, CEO da Smart Value, realçou "a questão do talento e dos recursos humanos". "É preciso também pensar essa perspetiva em termos de talento, em novas formas de gerar valor, mais sustentável. Acho que a área social devia estar mais atenta e envolver as empresas de uma forma mais positiva também", observou.

Neste sentido, também Inês Miguel, coordenadora do projeto "Vida Social Apoiada, o Fio de Ariana", disse ser necessário "perceber como ​​​​​​​podem ser uma mais valia para estas empresas e desligarem-se um bocadinho destes apoios públicos".

A moderação ficou a cargo de Helena Loureiro, representante regional do Norte da Estrutura Missão Portugal Inovação Social, que apontou também a necessidade de melhorar a gestão das organizações. "Muitas vezes o problema não é dinheiro, mas de gestão", concordou.

Por isso mesmo, e para minimizar algumas destas lacunas, o painel referiu a necessidade de motivar as equipas sociais, que recebem baixos salários, melhorar a "comunicação, capacitação e formação" e até mesmo integrar nesses grupos pessoas de outras áreas que possam ajudar em determinadas respostas. O público, em particular membros e dirigentes de organizações de cariz social, também colocou as suas questões. Alguns admitiram que o trabalho em equipa, muitas vezes, não é fácil, mas que todos pretendem atingir o mesmo objetivo.

No fecho deste primeiro painel de debate, Helena Loureiro concluiu, aconselhando a "não intervir sem avaliar o que estamos a fazer e sobretudo uma enorme promoção de sinergias para que de facto os nossos problemas sociais sejam minimizados".

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