Refinaria de Matosinhos

Forças políticas do Porto criticam falta de soluções ao encerramento da Petrogal

Forças políticas do Porto criticam falta de soluções ao encerramento da Petrogal

A falta de respostas e a incerteza sobre o futuro dos trabalhadores da refinaria de Matosinhos, em Leça da Palmeira, preocupa as estruturas partidárias do distrito do Porto. PS, PSD, CDS, BE e PCP receiam que a decisão provoque um aumento da dependência do país, ao serem concentradas todas as atividades do setor dos combustíveis em Sines, e pedem mais diálogo.

"Não estão a mostrar o jogo todo nem a responder a todas as perguntas", observa Alberto Machado, líder da Distrital do PSD/Porto, lamentando a "opacidade" demonstrada pela administração da Galp e pelo Governo em relação ao futuro dos trabalhadores. A par disso, também "o conjunto de matéria-prima que vai deixar de ser produzida" naquele complexo, como óleos base, lubrificantes e aromáticos, preocupa os social-democratas. Esse fator poderá provocar "a dependência eventual do país", colocando Portugal como "um país importador", esclarece.

Nesta quinta-feira, os trabalhadores manifestaram-se em frente à Câmara do Porto.

Também Manuel Pizarro, presidente da Distrital do Porto do PS, diz ser "profundamente lamentável" que a Galp "não tenha apresentado o plano social com o qual se comprometeu, não tenha explicado como vai proceder à descontaminação dos terrenos e não tenha dialogado com a autarquia [de Matosinhos] sobre o futuro daquele espaço territorial".

Do PCP/Porto, Jaime Toga acusa o Governo de estar a "destruir uma empresa estratégica que serve a região". "A decisão é condenável e errada, mas é possível de reverter", assegura o comunista, garantindo que a defesa do ambiente "não pode servir para destruir os postos de trabalho". Até porque, acrescenta, a pegada de carbono continua a existir "com a necessidade de deslocação do combustível". Para o PCP, a reconversão do complexo petrolífero numa biorrefinaria seria uma opção viável.

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Decisão puramente económica "pintada de verde"

"Se existe uma alternativa, um projeto de conversão, a administração da Galp tem de ser clara com os trabalhadores em relação ao futuro", apela Fernando Barbosa, líder da distrital do Porto do CDS. "E o Estado tem de fazer parte da solução", acrescenta, já que, "sendo o segundo maior acionista, também tem responsabilidade". Para Fernando Barbosa, "a responsabilidade de acautelar os direitos dos trabalhadores é do Estado e da Câmara de Matosinhos". "Tem de haver diálogo", assevera.

Para o BE, trata-se de uma decisão "puramente" económica "pintada de verde", que "deixa os trabalhadores na mão e acaba por concentrar as atividades num único ponto do país". A deputada Maria Manuel Rola acrescenta ainda que a decisão da Galp foi tomada "de uma hora para a outra", durante uma pandemia, "não tendo em linha de conta nenhuma das questões que podem deprimir a economia da região Norte do país".

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