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"Geração mais qualificada" e a que tem mais dificuldade em arranjar trabalho

"Geração mais qualificada" e a que tem mais dificuldade em arranjar trabalho

Ana Gabriela Cabilhas, Lídia Pereira, Nuno Lanhoso e Rita Santos apontaram este sábado as dificuldades pelas quais os jovens passam no mundo laboral, na conferência da Federação Académica do Porto (FAP) em parceria com o Jornal de Notícias.

"É preciso um olhar mais atento dos nossos decisores políticos. Somos a geração mais qualificada de sempre, mas também aquela para quem é mais difícil arranjar trabalho". A crítica, em jeito de alerta, foi de Ana Gabriela Cabilhas, presidente da FAP, este sábado, na conferência "Desafios presentes e do futuro da juventude em Portugal e na Europa", organizada pela FAP, em pareceria com o JN, que decorreu nos jardins do Palácio de Cristal, no Porto.

Segundo a dirigente, "o principal desafio dos jovens é a emancipação, que para a maior parte parece um sonho impossível de alcançar, porque a maior parte é trabalhador precário e sem dinheiro o futuro vai sendo adiado".

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Também a eurodeputada do PSD Lídia Pereira apontou críticas ao Governo, salientando que "a maior dificuldade é não haver políticas orientadas a longo prazo". E acrescentou: "Pela primeira vez na história, os jovens podem vir a viver pior do que as gerações dos pais e seus antecessores. Cabe aos governos nacionais gerirem estas matérias. 24% da população da União Europeia está em risco de pobreza. Em Portugal temos quase dois milhões de pobres. Estes números dizem que qualquer coisa não está a funcionar. A minha crítica vai para a dificuldade em escolher o que é prioritário".

Lídia Pereira apontou ainda que a idade média para um jovem sair de casa em Portugal é os 33 anos. Ou seja, bem mais alta do que a média europeia, 26 anos, apontada pelo Eurostat. "Tem de haver uma inversão e uma assunção de responsabilidades. Têm faltado reformas e ambição", afirmou a eurodeputada.

Baixos salários preocupam

Os baixos salários que os jovens formados recebem em Portugal foi outro dos temas abordados no debate. Nuno Lanhoso, que trocou a profissão de médico pela de músico, constatou que "há um problema com o ordenado dos médicos". Nesse contexto, contou que recebia mais a tocar em bares à noite do que a trabalhar no hospital. "Matei-me a estudar e afinal ganhava mais num trabalho que até era divertido", acrescentou.

Lídia Pereira reforçou a preocupação: "A nossa economia não está a conseguir reter estes talentos, havendo o risco adicional da falta de retorno".

Já Rita Santos, aluna de Direito, considera que "cabe também às associações de estudantes tornarem os jovens mais atentos em relação a temas discutidos na União Europeia".

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