Germano Silva

"Germano Arquivo": homenagem a uma figura ímpar e à cidade do Porto

"Germano Arquivo": homenagem a uma figura ímpar e à cidade do Porto

No 90.º aniversário do jornalista Germano Silva, a Casa do Infante acolhe a exposição "Germano Arquivo", com documentos para contar a história da Invicta.

Germano Silva, jornalista e historiador, doou mais de mil documentos sobre a cidade ao Arquivo Histórico Municipal do Porto. É um acervo que foi construindo ao longo de 60 anos junto de alfarrabistas, antiquários, feiras e leilões. A partir de hoje, a Casa do Infante, na Ribeira, tem para mostrar ao público uma parte importante dessa recolha, na "Germano Arquivo".

"Quem visitar a exposição fica com um panorama da história do Porto desde o século XVI até ao século XX", refere Germano Silva, ainda a saborear as celebrações dos seus 90 anos de vida. "É uma forma de assinalarmos a valiosa doação e de estendermos a comemoração do 90.º aniversário de uma figura ímpar", reforça Nuno Faria, diretor artístico do Museu da Cidade, que integra a Casa do Infante.

"Tive uma entidade particular que me fez uma oferta muito generosa para comprar o conjunto do espólio, mas entendi que não, porque deve ficar ao serviço da comunidade", confidencia o antigo jornalista do "Jornal de Notícias".

Defesa num ataque aéreo

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O que se pode encontrar no mostruário? Há relatos de acontecimentos históricos, documentos centrados em personalidades e "fait divers", como a comunicação entre namorados através de anúncios nos jornais. As imagens do transporte de carvão, por linhas áreas, de S. Pedro de Cova até ao depósito no Monte Aventino, é outro ponto de interesse.

"O documento mais antigo é do século XVI. Pertenceu aos viscondes de Vilarinho de S. Romão. Trata da aquisição de umas casas na Rua da Reboleira, na Ribeira", descreve.

"Do século XX temos documentação referente à guerra. Dos problemas que criou. Por exemplo, a possibilidade de um ataque aéreo. Há um livro que dá instruções sobre como se deviam defender num ataque aéreo. Felizmente nunca houve", afirma Germano, salientando, também, as "senhas de racionamento", que existiram na altura.

Prosseguindo no levantar do véu dá ainda nota "de um curioso diário de uma família do Porto que vai a banhos na Foz". A ação passa-se em 1950. "A família embarca na Alfândega. Apanha um barco, segue até à Cantareira e fica na Foz. Quem escreve diz que mandaram comprar melancias na feira delas, na praia do Ourigo, e acha que o preço estava pela hora da morte. Que eram caras", adianta, com um sorriso.

À oportunidade da iniciativa, o diretor Nuno Faria junta a mais-valia do tratamento do acervo "assegurar a sua posteridade".

Até 16 de janeiro

A exposição vai durar até ao dia 16 de janeiro. Hoje, na estreia, abre às 18.30 horas. Nuno Faria, do Museu da Cidade, adianta que no âmbito do projeto educativo serão realizados encontros e visitas guiadas.

Entrada grátis

A entrada é gratuita. As portas só estarão fechadas à segunda-feira e nos dias feriados. O horário para as visitas é entre as 10 horas e as 17.30 horas.

Áudio e diaporamas

Para ajudar o público e enriquecer a experiência da ida à Casa do Infante, muitas das histórias serão contadas pela voz do próprio Germano Silva numa gravação áudio. Também serão projetados diapositivos para ilustrar os acontecimentos.

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